política
Contra a esquerda, Flávio intensifica contato com evangélicos
O senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, intensificou o uso de referências religiosas em sua comunicação política enquanto se prepara para a disputa presidencial de 2026. A estratégia busca fortalecer sua relação com o eleitorado evangélico, segmento considerado decisivo em uma eventual disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT.
Uma das principais demonstrações dessa aproximação ocorreu durante a Marcha para Jesus, realizada em São Paulo. Flávio participou do evento ao lado do governador Tarcísio de Freitas e do prefeito Ricardo Nunes, em uma das maiores manifestações públicas da comunidade evangélica do país. Organizada pela Igreja Renascer em Cristo desde 1993, a Marcha reúne lideranças de diferentes denominações e se consolidou como importante espaço de visibilidade política.
Levantamento do Instituto Meio/Ideia, realizado entre os dias 23 e 27 de maio de 2026 com 1.500 entrevistados, apontou vantagem de Flávio entre os evangélicos em um cenário de segundo turno contra Lula. Segundo a pesquisa, o senador registrou 66,6% das intenções de voto nesse segmento, enquanto o presidente apareceu com 22,9%. O estudo também mostrou que 74,1% dos evangélicos afirmaram não considerar que Lula mereça um novo mandato. A pesquisa possui margem de erro de 2,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Paralelamente à participação em eventos religiosos, Flávio ampliou a presença de mensagens relacionadas à fé em suas redes sociais. Em vídeos divulgados por sua equipe, ele aparece em cultos, cita passagens bíblicas e relaciona sua trajetória política a conceitos frequentemente utilizados no meio evangélico, como missão, propósito e batalha espiritual.
Em uma das gravações, o senador declarou: “Eu sei que esta não é uma batalha só aqui na Terra. É uma batalha espiritual, acima de tudo”. Em outra publicação, utilizou a passagem do “manto de Elias” para comparar sua caminhada política a uma missão recebida, fazendo referência à sucessão do ex-presidente Jair Bolsonaro como principal liderança do campo conservador.
O teólogo Dione Caruzo, pesquisador das relações entre religião e política, afirmou que esse tipo de discurso faz parte de uma estratégia já consolidada entre lideranças conservadoras ligadas ao eleitorado evangélico. Segundo ele, a reafirmação de valores religiosos contribui para preservar a unidade da base de apoiadores em momentos de disputa política.
Caruzo também avaliou que Flávio é visto por parte das lideranças evangélicas como herdeiro político do capital construído por Jair Bolsonaro junto às igrejas. “Ele já é herdeiro simbólico de Jair Bolsonaro dentro das igrejas. Ele só perde essa herança política se mudar o discurso ou começar a perder o apoio das lideranças”, afirmou.
Enquanto isso, o governo Lula busca reduzir a resistência que enfrenta entre os evangélicos. O advogado-geral da União, Jorge Messias, que é presbítero batista, voltou a representar o governo na Marcha para Jesus. Esta foi sua quarta participação consecutiva no evento desde o início da atual gestão.
Apesar dos esforços de aproximação, Dione Caruzo avalia que a rejeição ao lulismo permanece elevada entre os evangélicos. Segundo o pesquisador, a identificação de parte significativa desse segmento com pautas conservadoras se intensificou nos últimos anos, ampliando a distância política em relação ao PT.
“Nos dois primeiros mandatos de Lula, essa resistência não era tão alta como atualmente. Depois do surgimento do movimento bolsonarista, fomentando princípios defendidos pela igreja, a oposição ao lulismo e ao petismo foi potencializada. A resistência continua consolidada e alta”, declarou, segundo a Gazeta do Povo.
