arqueologia bíblica

Descoberta arqueológica traz evidência sobre relato de Atos

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Arqueólogos israelenses anunciaram a descoberta de uma grande propriedade agrícola samaritana em Khirbet Kafr Hatta, no centro de Israel. O local é tradicionalmente associado a Simão, o Mago, personagem bíblico mencionado no livro de Atos dos Apóstolos.

A narrativa bíblica descreve Simão como alguém que praticava magia e impressionava o povo, mas que, ao testemunhar os milagres dos discípulos, declarou-se convertido. No entanto, ao tentar comprar dons espirituais com dinheiro, foi repreendido por Pedro: “O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois cuidaste que o dom de Deus se alcança por dinheiro” (Atos 8:20). O episódio deu origem ao termo “simonia”, utilizado até hoje para designar a comercialização de funções religiosas.

Um centro agrícola próspero

A escavação foi conduzida pela Autoridade de Antiguidades de Israel (AAI) em parceria com o Ministério da Construção e Habitação. Os pesquisadores concluíram que a propriedade esteve ativa entre os anos 300 e 700 d.C., abrangendo os períodos romano e bizantino.

Segundo os diretores da escavação, Alla Nagorsky e Daniel Leahy Griswold, “o tamanho e o esplendor dos edifícios, a qualidade dos mosaicos e as instalações agrícolas apontam para a grande riqueza e prosperidade da comunidade samaritana local”. Entre os achados, destacam-se mosaicos ornamentais com motivos frutíferos, um lagar para azeite, um armazém e um banho ritual. A presença do lagar chamou a atenção por ser mais comum em Jerusalém e na Judeia do que em Samaria.

Com o passar do tempo, a opulência arquitetônica foi substituída pela funcionalidade agrícola. Os mosaicos foram danificados pela construção de novas paredes, e elementos decorativos, como colunas e capitéis, acabaram reaproveitados em edificações posteriores.

Resistência ao domínio bizantino

Nos séculos V e VI, os samaritanos se revoltaram contra o Império Bizantino, e muitos de seus povoados foram destruídos. A propriedade de Khirbet Kafr Hatta, contudo, parece ter resistido, mantendo parte de sua estrutura e preservando a herança cultural da comunidade.

“Este é um sítio fascinante, que revela a trajetória entre prosperidade e declínio da comunidade samaritana. Seus achados impressionantes nos permitem reconstruir séculos de história e ampliar o conhecimento sobre essa população na antiguidade”, afirmou Nagorsky.

A descoberta acrescenta evidências arqueológicas sobre a presença e resistência dos samaritanos, grupo que, apesar de pequeno, sobrevive até os dias atuais, mantendo tradições ligadas à Torá e ao Monte Gerizim, conforme informado pela revista Comunhão.

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