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EUA faz novo bombardeio ao Estado Islâmico na Síria
Os Estados Unidos lançaram, no sábado, uma nova série de ataques aéreos coordenados contra alvos do Estado Islâmico na Síria, em resposta à emboscada que matou dois soldados americanos e um intérprete civil, cidadão dos EUA, na cidade de Palmira, no mês anterior.
O Comando Central dos EUA informou que os ataques começaram por volta das 12h30, no horário do leste dos Estados Unidos, envolvendo forças americanas e forças parceiras, que atingiram múltiplas posições do Estado Islâmico em diferentes regiões da Síria.
A operação recebeu o nome de Operação Hawkeye Strike e integra a resposta militar de Washington ao ataque ocorrido em 13 de dezembro, quando morreram o sargento Edgar Brian Torres-Tovar, o sargento William Nathaniel Howard e Ayad Mansoor Sakat, durante uma missão conjunta em Palmira.
Torres-Tovar e Howard integravam a Guarda Nacional de Iowa e estavam mobilizados no âmbito da Operação Inherent Resolve, a coalizão internacional que atua contra remanescentes do grupo jihadista. Sakat, de 34 anos, era intérprete contratado e residia em Macomb, no estado de Michigan.
Em comunicado divulgado no sábado, o Comando Central afirmou que os ataques foram de “grande escala” e realizados em coordenação com forças aliadas, sem detalhar as unidades participantes. Na mesma nota, o comando declarou: “Nossa mensagem continua clara: se você ferir nossos combatentes, nós o encontraremos e o mataremos em qualquer lugar do mundo, não importa o quanto você tente escapar da justiça”.
O Estado Islâmico expandiu-se em 2014, quando passou a controlar extensas áreas do Iraque e da Síria, antes de ser expulso de seus principais redutos por uma coalizão liderada pelos Estados Unidos. Embora tenha perdido o domínio territorial, o grupo segue ativo em regiões desérticas sírias, mantendo capacidade operacional.
Analistas têm demonstrado preocupação com uma possível tentativa de reorganização do grupo após a queda do ex-presidente Bashar al-Assad, em dezembro de 2024, e a ascensão do atual presidente Ahmed al-Sharaa. Al-Sharaa liderou anteriormente a Frente Al-Nusra, ligada à Al-Qaeda, e posteriormente declarou distanciamento do grupo.
A resposta militar americana havia começado em 19 de dezembro, quando um ataque anterior atingiu 70 alvos do Estado Islâmico no centro da Síria, marcando o primeiro uso do míssil Hawkeye Strike. Essa ofensiva inicial foi realizada de forma conjunta pelos Estados Unidos e pela Jordânia, tendo como alvos infraestrutura e depósitos de armas do grupo.
A emboscada em Palmira foi atribuída a um atirador solitário do Estado Islâmico e representou o primeiro incidente mortal envolvendo tropas americanas na Síria desde a deposição de Assad. Após o ataque, os Estados Unidos ampliaram a coordenação com Damasco, que passou a integrar formalmente a coalizão internacional contra o grupo jihadista.
Essa cooperação foi anunciada após a visita de Ahmed al-Sharaa à Casa Branca, em novembro, a primeira visita oficial de um chefe de Estado sírio aos Estados Unidos. O presidente Donald Trump autorizou os novos ataques após receber relatórios atualizados sobre o ataque em Palmira.
No contexto interno sírio, a mídia estatal informou no sábado a transferência de combatentes curdos de Aleppo para Tabaqa, no nordeste do país, após um acordo de cessar-fogo firmado depois de confrontos com forças governamentais. As informações foram divulgadas por France 24 e pela AFP.
Os confrontos começaram no início da semana, após um impasse nas negociações sobre a integração dos curdos ao novo governo sírio. Relatos indicam que forças governamentais passaram a bombardear o distrito de Sheikh Maqsud após o prazo final do cessar-fogo.
Na noite de sábado, ônibus transportaram combatentes curdos que se renderam para fora de Aleppo, enquanto forças de segurança acompanharam famílias civis durante a retirada. O governador de Aleppo afirmou que 155 mil moradores foram deslocados desde o início dos confrontos, e autoridades locais registraram ao menos 21 mortes de civis.
A televisão estatal síria informou que as operações militares em Sheikh Maqsud foram suspensas após a conclusão das evacuações. As operações de voo no aeroporto de Aleppo permaneceram suspensas até sábado, devido às tensões nas áreas próximas.
O enviado dos EUA para a região, Tom Barrack, reuniu-se com Ahmed al-Sharaa no sábado e defendeu a retomada das negociações entre Damasco e lideranças curdas. Ele afirmou que a violência “corre o risco de comprometer o progresso alcançado desde a queda do regime de Assad e abre caminho para interferências externas que não servem aos interesses de nenhuma das partes”.
Em declaração escrita, Barrack informou que “o governo sírio reafirmou seu compromisso com o acordo de integração de março de 2025 com as Forças Democráticas Sírias, que estabelece uma estrutura para a incorporação das forças curdas às instituições nacionais, preservando seus direitos e fortalecendo a unidade e a soberania da Síria”. Ele acrescentou que “os acontecimentos recentes em Aleppo, que parecem desafiar os termos desse acordo, são profundamente preocupantes”.
A dirigente curda Elham Ahmad afirmou à AFP que a administração do nordeste da Síria continua comprometida com os acordos firmados, mas responsabilizou as autoridades sírias pelo início do conflito.
As Forças Democráticas Sírias desempenharam papel central na derrota territorial do Estado Islâmico em 2019 e controlam áreas estratégicas ricas em petróleo no nordeste do país. O papel do grupo na nova configuração política da Síria permanece indefinido, em meio a disputas sobre descentralização, segurança e integração institucional.
