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Pastor do Psol apoia Lula em carta aberta com críticas a Flávio Bolsonaro
A disputa pelo voto evangélico ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (26), com o anúncio de apoio da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em carta aberta, o movimento — formado por pastores e teólogos de diferentes regiões do país, como Ariovaldo Ramos e Henrique Vieira (PSOL) — afirma que a permanência do petista no Planalto está alinhada a valores cristãos e tece críticas à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL).
A manifestação ocorre em um momento em que o segmento religioso é considerado estratégico para a eleição presidencial de 2026.
No documento, o grupo classifica o projeto político associado a Flávio como ligado ao “autoritarismo” e aos “benefícios dos mais ricos”. A Frente também sustenta que não se pode tratar como normais iniciativas que, em sua avaliação, representem ameaças às instituições democráticas e aos direitos fundamentais. A posição é apresentada como uma decisão política do movimento, que tem histórico de atuação no campo evangélico progressista.
“Não podemos normalizar forças políticas que atacam as instituições, questionam o resultado das urnas, estimulam a violência e ameaçam os direitos fundamentais. A Bíblia nos ensina que ‘Deus não é Deus de desordem, mas de paz'”, afirma um dos trechos divulgados da carta.
Defesa da soberania nacional
A Frente também relaciona seu apoio a Lula à defesa da soberania nacional diante do tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil. Para o movimento, a atuação do presidente diante da crise reforçou a importância de uma liderança política capaz de defender as instituições brasileiras e resistir a movimentos que, segundo o grupo, poderiam ameaçar a ordem constitucional.
“A experiência recente demonstrou a importância da liderança do presidente na articulação da consciência democrática e na resistência às forças que ameaçaram romper definitivamente a ordem constitucional. E isso não apenas no âmbito nacional, mas também na esfera global”, afirma outro trecho do documento.
Independência declarada
Embora declare apoio à candidatura petista, a Frente afirma que a decisão não representa abandono de sua independência. Segundo o movimento, o posicionamento eleitoral não retira sua “autonomia” nem sua “capacidade de diálogo” com diferentes setores da sociedade.
Cenário eleitoral e estratégia petista
A manifestação ocorre em um cenário particularmente importante para a estratégia eleitoral de Lula. O eleitorado evangélico representa uma parcela expressiva da população brasileira e tem sido apontado como um dos segmentos em que o presidente encontra maior resistência. Levantamento do PoderData divulgado em 13 de agosto apontou que 51% dos evangélicos declaravam intenção de votar em Flávio Bolsonaro, contra 27% em Lula.
A aproximação com os evangélicos tornou-se, por isso, uma das frentes da campanha petista. A primeira-dama Rosângela Silva, a Janja, lançou um comitê voltado ao segmento e passou a participar de iniciativas para ampliar o diálogo com lideranças e comunidades religiosas. Lula também pretende realizar encontros com pastores e intensificar conversas com representantes do segmento.
Corrente progressista dentro do universo evangélico
A declaração da Frente, no entanto, não significa que o eleitorado evangélico tenha mudado de posição de maneira uniforme. O movimento possui perfil progressista e representa uma corrente específica dentro do amplo universo evangélico brasileiro.
Estudo acadêmico publicado na revista Mediações, da Universidade Estadual de Londrina, identifica a Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito como um dos coletivos organizados no campo evangélico à esquerda, criado em 2016 sob a condução de Ariovaldo Ramos e Nilza Valéria Zacarias, com atuação em defesa da democracia e contraposição ao crescimento de discursos fundamentalistas.
Novo capítulo no tabuleiro eleitoral
A decisão adiciona uma nova peça ao tabuleiro eleitoral de 2026. Mais do que representar uma mudança de posição de todo o eleitorado evangélico, o apoio explicita a existência de diferentes correntes políticas dentro das igrejas e movimentos cristãos.
De um lado, lideranças conservadoras têm se aproximado de Flávio Bolsonaro; de outro, grupos progressistas procuram apresentar uma leitura cristã favorável à candidatura de Lula, baseada em democracia, justiça social, soberania e direitos fundamentais. Com: Comunhão.
