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Perdoar não exige reconciliar a convivência, alerta Augustus Nicodemus
O perdão é um dos pilares fundamentais da doutrina cristã, e as Sagradas Escrituras orientam os seguidores de Cristo a perdoarem aqueles que lhes causam ofensas, tomando como modelo a própria atitude de Jesus. No entanto, o pastor presbiteriano Augustus Nicodemus faz uma ponderação importante: absolver o outro nem sempre implica restaurar a proximidade ou reatar vínculos que se tornaram nocivos.
Em suas considerações sobre o assunto, Nicodemus observa que há circunstâncias nas quais o afastamento é inevitável, ainda que o perdão já tenha sido concedido de coração. “Infelizmente, existem situações em que não dá para manter o relacionamento. A Bíblia nos instrui a perdoar os inimigos, mas não nos manda acompanhá-los, compartilhar refeições ou manter intimidade com eles”, declarou.
Segundo o teólogo, a essência do verdadeiro perdão está em renunciar ao sentimento de vingança e tratar a outra pessoa sem guardar mágoas. Ele esclarece que essa postura implica também desejar o bem do ofensor e estar aberto a auxiliá-lo sempre que possível.
“Perdoar significa encarar aquela pessoa como alguém cuja falta já foi entregue a Deus. É interceder por ela, almejar sua prosperidade e, na medida do possível, estender a mão. Mas isso não equivale a restabelecer a intimidade ou retomar o mesmo grau de convivência de antes”, explicou.
Nicodemus enfatiza que o perdão bíblico deve andar de mãos dadas com a sabedoria prática. Em sua visão, estabelecer limites saudáveis em certos relacionamentos não fere os princípios das Escrituras, mormente quando a interação contínua representa perigo ou tende a gerar novos desgastes.
Ao encerrar sua mensagem, o pastor encoraja os cristãos a não se manterem reféns da amargura, confiando a Deus a resolução da questão. “Perdoe em nome de Jesus, interceda por essa pessoa e prossiga seu caminho, entregando ao Senhor as consequências dessa escolha”, concluiu. Com: Comunhão.
