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Processo contra pastor o acusa de abusar e traficar crianças
Três homens ingressaram com ações civis federais nos Estados Unidos afirmando terem sofrido abusos sexuais e exploração enquanto viviam em lares infantis ligados à Harvest Christian Fellowship, na Romênia. Os processos citam o ex-pastor Paul Havsgaard como autor direto dos abusos e apontam Greg Laurie (fundador da igreja) e o pastor missionário Richard Schutte por suposta negligência na prevenção e por encobrimento dos fatos por cerca de duas décadas.
As ações foram protocoladas no Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito Central da Califórnia por Marian Barbu, 33 anos, Mihai-Constantin Petcu, 40, e Cristian Aeroaiei, 36, em duas datas nesta semana, na terça-feira e na quinta-feira.
As queixas, apresentadas pelo advogado Jan Cervenka, do escritório McAllister Olivarius (Londres e Nova York), relatam que Havsgaard teria se aproximado de crianças em situação de vulnerabilidade nas ruas de Bucareste, prometendo alimentação, abrigo e escolarização em “Harvest Homes”.
Segundo os autos, as casas teriam funcionado a partir de 1998 e foram encerradas de forma discreta em 2008. Os autores pedem indenização por alegada negligência na supervisão e operação dos lares, inflição intencional de sofrimento emocional, tráfico sexual e conspiração. O escritório informou ainda que “pelo menos outros 20 sobreviventes” estudam apresentar queixas semelhantes nas próximas semanas.
Resposta da igreja
Em nota, um porta-voz da Harvest classificou as alegações como “sérias e perturbadoras”, negou que a igreja tenha deliberadamente encoberto abusos e afirmou que, após serem procurados por representantes das supostas vítimas, a Harvest Riverside comunicou o caso à polícia e pretende cooperar com as autoridades. A igreja qualificou os processos como “uma forma de extorsão financeira” e disse “esperar defender-se vigorosamente” em juízo.
Linha do tempo
- 1976: Greg Laurie assume papel de liderança na Harvest Riverside; segundo a queixa, Havsgaard atuou como pastor assistente responsável pelo ministério infantil.
- Início dos anos 1980: Havsgaard deixa a Harvest para servir como pastor sênior na Calvary Chapel of the High Desert, em Victorville (Califórnia).
- 1998: De acordo com os processos, Havsgaard viaja à Romênia com a Samaritan’s Purse para ações humanitárias e sugere a Laurie a criação de uma missão permanente; as “Harvest Homes” teriam início nesse período.
- Por volta de 2004: Uma investigação interna da Harvest teria confirmado denúncias de abuso, após insistência de missionários, segundo o que alegam os autores.
- 2008: Encerramento das casas na Romênia.
Os advogados sustentam que, apesar de sinais e relatos, medidas corretivas efetivas teriam sido tardias ou insuficientes. Havsgaard não foi localizado para comentar por telefone ou e-mail até a última atualização constada nos autos.
Autores
- Mihai-Constantin Petcu: relata episódios de abuso entre 2000 e 2008, dos 14 aos 23 anos.
- Marian Barbu: diz ter sido acolhido aos 8 anos após perda e vulnerabilidade familiar e afirma ter sofrido abusos entre 2000 e 2008; alega prejuízos educacionais e tentativas de autolesão no período.
- Cristian Aeroaiei: afirma ter vivido nos lares entre 2000 e 2007, dos 10 aos 17 anos, relatando punições e abusos; menciona efeitos psicológicos persistentes.
Os relatos descrevem impactos duradouros na saúde mental e no desenvolvimento educacional. Por se tratar de processo em andamento, as alegações ainda não foram julgadas e os réus negam as acusações.
As ações tramitam no Distrito Central da Califórnia. Os autores pedem compensações financeiras e responsabilização civil dos envolvidos. A Harvest informa ter notificado autoridades policiais e que cooperará com a investigação. Não há, até o momento, audiência de mérito concluída nem sentença, de acordo com informações do The Christian Post.
Próximos passos
- Ações seguem para fase de respostas formais dos réus e eventuais moções preliminares.
- Possível entrada de novas queixas por outros sobreviventes, conforme informado pelos advogados.
- Autoridades civis e policiais devem avaliar documentos e testemunhos; a igreja indicou que manterá cooperação.
