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Sex shop gospel e “cachorro crente”: empreendimentos polêmicos levantam discussão
Leandro Lima trabalhava com produção de shows para artistas como Jorge Vercillo e Péricles, mas afirma que já estava desmotivado com o que chamou de “ego e vaidade desse mercado”. Foi então que decidiu buscar orientação em sua fé. “Pedi a Deus que me desse um projeto fora da área”, contou.
Em 2019, ao sair de um culto na Assembleia de Deus Vitória em Cristo, na zona norte do Rio de Janeiro, viu uma barraca de cachorro-quente do outro lado da rua. “Na hora pensei: cachorro crente”, recordou. O trocadilho, segundo ele, foi inevitável: “A palavra ‘crente’ é muito falada na igreja, acaba sendo algo marcante”.
Assim nasceu a Cachorro Crente, que começou com carrocinhas nas ruas. Em abril deste ano, o empreendedor inaugurou, a 50 metros da igreja, a primeira loja física do que define como um “fast food cristão”. Sob o lema “gostoso e abençoado”, a casa oferece pão com salsicha e variações como cupim e costela, com preços a partir de R$ 17.
A receita em si não difere de um cachorro-quente convencional. O diferencial está na ambientação, como a fachada que exibe o versículo 1 Coríntios 10:31: “Assim, quer vocês comam, quer bebam, quer façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus”.
Mercado em expansão
A Cachorro Crente integra uma leva de empreendimentos que incorporam referências do universo evangélico para disputar fatias de um mercado em crescimento. Nos últimos anos, surgiram negócios como a hamburgueria Gospel Burger, a marca de roupas Senhorita Moda Modesta e o aplicativo de transporte Com Deus, cujo bordão é “vá Com Deus”.
A aposta desses negócios está na identificação imediata com um público que cresce em número e poder aquisitivo. Os evangélicos representavam, no Censo de 2022, 26,9% da população brasileira com dez anos ou mais e, segundo estimativas do setor, movimentam mais de R$ 20 bilhões por ano.
Diversificação de segmentos
O que antes se restringia a livrarias, gravadoras e editoras gospel hoje abrange os mais variados setores. Em comum, a proposta de oferecer um ambiente familiar para consumidores cristãos.
Em Brasília, a Gospel Drinks se apresenta como “o primeiro open bar gospel do Brasil”, com “diversão zero álcool” e versões sem bebida alcoólica de drinques clássicos — a cachaça é substituída por refrigerante de limão, por exemplo.
O segmento chegou até mesmo ao mercado de produtos eróticos. A Bem Amada, loja de São Paulo, define-se como um “lugar seguro onde ajudamos a acender o fogo no parquinho sem apagar os valores”. A fundadora, Adriana Araujo, abriu o negócio a partir de dúvidas que surgiram após sua conversão religiosa.
“Eu queria viver minha fé de forma íntegra, mas também entender como Deus enxergava a intimidade no casamento”, afirmou. “Estudei bastante e percebi que muitas mulheres cristãs tinham exatamente as mesmas inseguranças que eu havia vivido.”
Ela conta que inicialmente atuava apenas com aconselhamento de fiéis. Posteriormente, decidiu empreender. O propósito, segundo Adriana, permanece o mesmo: “Fortalecer casamentos e ajudar mulheres a viver sua sexualidade sem culpa, mas com responsabilidade, amor e respeito aos seus valores, sem vulgaridade e também sem vergonha”. Com: ICL Notícias
