mundo
Abusos sexuais na Igreja Católica são ‘praga’, diz papa
O papa Leão XIV afirmou que os abusos sexuais cometidos por membros do clero representam uma “praga” para a Igreja Católica e defendeu uma resposta baseada em “escuta, verdade, justiça e reparação” às vítimas. A declaração foi feita durante um encontro com bispos espanhóis, em meio a cobranças por medidas mais efetivas para enfrentar o problema.
O pontífice destacou que uma das experiências mais dolorosas da Igreja é encontrar pessoas que sofreram abusos justamente por parte daqueles que deveriam protegê-las. Segundo ele, as vítimas precisam encontrar acolhimento, proteção e caminhos concretos para a recuperação. Leão XIV também reforçou a necessidade de ampliar ações preventivas e fortalecer uma cultura de proteção às crianças e pessoas vulneráveis.
A fala é considerada uma das referências mais diretas do papa à crise de abusos sexuais envolvendo o clero na Espanha. Durante a visita, o Vaticano informou que o líder católico se reuniria de forma reservada com vítimas dos casos. A decisão de manter o encontro sem divulgação de detalhes gerou críticas de associações de ativistas, que afirmaram não ter sido convidadas para participar das discussões.
Grupos ligados à defesa das vítimas realizaram manifestações em frente à Nunciatura Apostólica, em Madri, pedindo mais transparência e medidas concretas de apoio, incluindo acompanhamento psicológico, indenizações e assistência educacional e profissional.
A dimensão do problema foi destacada por um relatório divulgado em 2023 pelo Defensor do Povo da Espanha, que estimou que mais de 200 mil menores podem ter sido vítimas de abusos sexuais cometidos por integrantes do clero católico desde 1940. Em março deste ano, a Igreja Católica e o governo espanhol firmaram um acordo para indenizar vítimas desses crimes.
Além do tema dos abusos, Leão XIV abordou questões globais durante um discurso ao Congresso espanhol. O papa afirmou que o mundo enfrenta uma profunda crise espiritual e cultural, marcada pelo aumento da violência, da polarização e da desconfiança entre as pessoas.
A migração também ocupou espaço central em sua mensagem. O pontífice defendeu uma resposta internacional coordenada baseada em acolhimento, proteção e integração dos migrantes. Segundo ele, nenhum país consegue enfrentar sozinho os desafios migratórios e é necessário combater causas como guerras, pobreza e instabilidade social.
Leão XIV também reafirmou a posição histórica da Igreja Católica em defesa da vida desde a concepção até a morte natural. A declaração ocorre enquanto autoridades espanholas discutem a possibilidade de incluir o direito ao aborto na Constituição do país.
A agenda do papa na Espanha inclui uma visita a Barcelona para a bênção de uma das torres da Sagrada Família. A viagem será encerrada nas Ilhas Canárias, onde ele deverá se encontrar com migrantes que chegaram à região após travessias marítimas vindas da África Ocidental.
