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Congregação acusa Igreja Metodista de tentar tomar seu templo
Uma pequena congregação ingressou na Justiça contra um órgão regional da Igreja Metodista Unida, alegando tentativa de apropriação de sua propriedade. A Igreja Broad Cove, localizada na cidade de Cushing, no Maine (EUA) apresentou a ação no início deste mês contra a Conferência Anual da Igreja Metodista Unida da Nova Inglaterra.
De acordo com a queixa, a Broad Cove se define como uma igreja independente e não denominacional, mantendo apenas uma relação de cooperação com a denominação metodista. Nesse arranjo, a Igreja Metodista Unida designa um pastor para servir à congregação, e a igreja local remunera a denominação pelos serviços do clero.
Segundo a denúncia, o pastor mais recente enviado à Broad Cove passou a tentar alterar os estatutos da igreja com o objetivo de torná-la uma congregação formalmente vinculada à Igreja Metodista Unida. A congregação afirma que seus membros nunca votaram pela filiação à denominação, conforme relatado pelo jornal Midcoast Villager, da cidade de Camden.
“O processo afirma que a Igreja Metodista Unida busca expandir seu território cada vez menor por decreto, declarando que Broad Cove é uma comunidade exclusivamente metodista e forçando seus membros não metodistas a se submeterem ou a encontrarem outras igrejas”, registrou o veículo. A ação também sustenta que a denominação exige que a Broad Cove se submeta ao Livro de Disciplina da Igreja Metodista Unida, com o objetivo final de assumir o controle dos bens móveis e imóveis da congregação.
A igreja solicita uma liminar para impedir a transferência da propriedade, e a decisão judicial ainda não foi proferida, segundo o Villager. Na segunda-feira, a Conferência da Nova Inglaterra da Igreja Metodista Unida passou a listar a Broad Cove como uma de suas igrejas-membro em seu site oficial, com Michael Leonard identificado como pastor responsável.
A ação judicial afirma que Leonard, que assumiu o pastorado em 2023, “começou a insistir em mudanças no prédio da igreja e nas práticas da congregação, com o objetivo final de arrastar a igreja, que não desejava a adesão, para a Igreja Metodista Unida”. O conflito teria se intensificado em junho de 2025, durante a revisão dos estatutos. Segundo a queixa, Leonard exigiu que o termo “não denominacional” fosse retirado da descrição oficial da igreja.
Após esse impasse, os membros da congregação votaram pela dispensa do pastor. Em seguida, a Igreja Metodista Unida teria enviado uma carta afirmando que a propriedade da Broad Cove não pertence à congregação local, mas a um fundo fiduciário da denominação. A igreja sustenta que escrituras e outros documentos legais contradizem essa alegação.
A Igreja Metodista Unida foi fundada em 1968, na cidade de Dallas, no estado do Texas, a partir da fusão da Igreja Metodista e da Igreja Evangélica dos Irmãos Unidos. Nas últimas décadas, a denominação tem enfrentado divisões internas relacionadas a debates sobre sexualidade e ordenação ministerial.
Dados compilados pela UM News indicam que, entre 2019 e 2023, mais de 7.500 congregações deixaram a Igreja Metodista Unida, a maioria delas identificadas como teologicamente conservadoras. Na Conferência Geral de 2024, delegados aprovaram a retirada da proibição ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e à ordenação de homossexuais não celibatários do Livro de Disciplina.
Apesar da decisão, diversos órgãos regionais e congregações mantiveram posições alinhadas a interpretações bíblicas tradicionais sobre ética sexual, enquanto outras optaram pelo desligamento da denominação. Em novembro, a maioria das conferências anuais aprovou a chamada regionalização, medida que permite a adaptação de partes do Livro de Disciplina conforme o contexto cultural de cada região, segundo o The Christian Post.
