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Cristão cego acusado de blasfêmia pode pegar pena de morte

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Um cristão cego de 49 anos, identificado como Nadeem Masih, foi preso e acusado de blasfêmia no Paquistão, crime que prevê pena de morte segundo o artigo 295-C do Código Penal. A denúncia partiu de um muçulmano que o acusou de insultar o profeta Maomé, informou sua mãe, Martha Yousaf, de 79 anos.

De acordo com Martha, o filho trabalhava de forma modesta no Model Town Park, em Lahore, onde oferecia uma balança a pequenos comerciantes. O denunciante, Waqas Mazhar, também empregado no local, o teria assediado repetidas vezes, extorquindo dinheiro e zombando de sua deficiência.

Em 21 de agosto, Mazhar e outros homens agrediram Masih e o levaram à delegacia de Model Town, onde o acusaram de blasfêmia. “Quando encontrei meu filho na prisão, ele chorou amargamente ao contar que foi espancado pela polícia e forçado a confessar”, relatou Martha.

Ela afirmou que o tratamento policial tem sido “cruel desde o primeiro dia”, apesar da deficiência do filho, que é completamente cego e possui uma haste de ferro na perna direita. “Peço a Deus todos os dias que o livre dessa falsa acusação e o traga de volta para mim”, disse.

Defesa

Masih vive com a mãe idosa e três filhas, sendo o único homem da família após a morte do pai e de um irmão. Apesar da pobreza e da deficiência, conseguiu concluir a graduação, mas nunca obteve emprego formal devido à falta de oportunidades para pessoas com deficiência no país.

Seu advogado, Javed Sahotra, apontou falhas no boletim de ocorrência que poderiam permitir a soltura sob fiança. Segundo ele, o subinspetor Muhammad Ayub alegou ter recebido a denúncia às 23h, embora o parque feche às 21h, e Masih tenha ligado para a polícia às 6h da manhã denunciando agressões sem receber ajuda.

Sahotra solicitou ao superintendente de polícia o registro das chamadas telefônicas de Ayub para comprovar a inconsistência. “Se o tribunal de primeira instância negar a fiança, recorreremos ao Tribunal Superior de Lahore”, afirmou. Ele confirmou que o acusado foi torturado sob custódia, chamando o caso de “um ato desumano contra uma pessoa cega”.

Protestos

O diretor da Comissão Nacional para a Justiça e a Paz (NCJP), Naeem Yousaf, ligada à Igreja Católica, condenou a prisão e classificou o caso como um reflexo da discriminação estrutural contra pessoas com deficiência e minorias religiosas. “Já sobrecarregado pela pobreza e pela cegueira, ele agora sofre ainda mais atrás das grades, vítima da injustiça e da indiferença humana”, declarou.

Organizações internacionais de direitos humanos também criticaram o caso. A Human Rights Watch (HRW) denunciou o uso sistemático das leis de blasfêmia no Paquistão como ferramenta para perseguir minorias, resolver disputas econômicas e incitar violência coletiva.

Em relatório publicado em 9 de junho, a HRW destacou que tais acusações têm sido usadas para desapropriar famílias pobres e coagir transferências de propriedades. O documento, intitulado “Uma Conspiração para Apropriar-se da Terra”, afirma que as leis de blasfêmia são “amplas, vagas e facilmente manipuláveis”, permitindo condenações sem provas concretas.

A organização também criticou o sistema judicial paquistanês, que frequentemente falha em proteger os acusados e em responsabilizar os agressores. Em muitos casos, segundo a HRW, agentes que tentam intervir sofrem ameaças, enquanto líderes religiosos que incitam a violência permanecem impunes.

Contexto nacional

O Paquistão ocupa a 8ª posição na Lista Mundial de Vigilância 2025 da organização Portas Abertas, que classifica os 50 países onde os cristãos enfrentam perseguição mais severa. As acusações de blasfêmia são uma das principais causas de prisão e violência contra fiéis.

Conforme informado pelo The Christian Post, casos semelhantes têm aumentado em Punjab, província mais populosa do país, onde cristãos e outras minorias religiosas vivem sob constante risco de retaliação. Em muitos episódios, bairros inteiros são atacados após rumores de suposta blasfêmia.

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