capa
Eleições: Janja é apontada como um dos obstáculos para o PT atrair voto evangélico
A conquista do eleitorado evangélico tornou-se uma prioridade estratégica para o PT nas eleições presidenciais de 2026, em um cenário de polarização com o bolsonarismo – corrente política que historicamente mantém maior identificação com esse grupo religioso.
Pesquisas recentes apontam que o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL), principal opositor de Lula até o momento, ainda se mantém forte entre os evangélicos, apesar de uma queda aparentemente circunstancial influenciada por revelações sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro e também por desgastes decorrentes de conflitos com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Diante desse movimento nas eleições, o PT busca reverter votos para Lula. Para tanto, tem promovido encontros nacionais com lideranças evangélicas, com o objetivo de reduzir a resistência histórica ao petista. Paralelamente, discute-se a criação de uma coordenação inter-religiosa voltada à campanha.
Outra frente de atuação do partido é antecipar-se a eventuais cobranças por uma carta de Lula direcionada aos religiosos, como ocorreu no pleito anterior. O PT já divulgou, no mês passado, um comunicado oficial aos evangélicos, demonstrando reconhecimento à importância das religiões, antes que surgisse demanda por um compromisso formal do presidente.
“O PT reconhece que o estado é laico, mas o povo é de muita fé. A fé faz parte do dia a dia do povo. As igrejas funcionam como associações e entidades que acolhem as dificuldades e é esse movimento que a gente quer fazer no país, reconhecendo essa importância”, explicou Gutierrres Barbosa, coordenador nacional do Setorial Inter-religioso da sigla e membro da Igreja Batista Nazareth, em Salvador.
Janja como alvo nas redes
Além dos encontros institucionais, o PT busca superar a indisposição de parte dos evangélicos em relação ao partido nessas eleições, o que envolve reverter a resistência à primeira-dama, Janja da Silva – ponto considerado primordial pela legenda. Janja é frequentemente alvo de críticas em redes sociais, sendo associada por alguns usuários a religiões de matrizes africanas.
Ao lado da ex-ministra Marina Silva (Meio Ambiente), que é evangélica, Janja participou de um encontro nacional com representantes do segmento. Em seu discurso, ela disse não compreender a rejeição:
“Eu queria entender quais eram os obstáculos que essas mulheres (evangélicas) viam em nós do campo progressista. O campo progressista acredita nos valores que estão no Evangelho e nos valores que estão na Bíblia”, afirmou a primeira-dama. Com: Estado de Minas.
