opinião
Espiritualidade gasosa
O Servir ao próximo e considerar o outro perderam lugar para as nossas próprias ambições e desejos.

Zygmunt Bauman desenvolveu o conceito de modernidade líquida que diz respeito a uma nova época em que, segundo ele, tudo é temporário e a modernidade, tal como os líquidos, caracteriza-se pela incapacidade de manter a forma.
Nesta chamada modernidade líquida as relações sociais, assim como as econômicas, apresentam-se como frágeis, instáveis e flexíveis contrapondo-se ao conceito de modernidade sólida, quando as relações eram solidamente estabelecidas, tendendo a ser mais fortes, duradouras e rígidas.
Bauman chama atenção para a dissolução das formas sociais como: trabalho, família, comprometimento político, amor, amizade e a própria identidade, tudo isso mudando em um ritmo vertiginoso.
Não creio que devemos olhar para trás com saudosismo; sou da opinião que devemos manter nossos olhos no presente, construindo o futuro, sem desprezar, é claro, o legado deixado por nossos antepassados. Contudo, impressiona-me o quanto absorvemos dos conceitos que permeiam o sistema atual.
Não são raras às vezes em que ouço das traições e da falta de ética entre nós cristãos. Parece que vivemos como em um exército sem patentes. Agimos de acordo com o que achamos correto, ignoramos códigos éticos e morais, e visualizamos somente nossos próprios interesses.
O Servir ao próximo e considerar o outro perderam lugar para as nossas próprias ambições e desejos. Figuras como Jônatas, Eliseu e Timóteo que serviram e foram reconhecidas primeiramente por seu serviço e compromisso, tornaram-se escassas.
Hoje, queremos tudo para ontem. A pessoa nem bem começou a caminhada cristã e já almeja os púlpitos, as tribunas, as lideranças, os palcos e os holofotes.
Vemos uma safra de homens e mulheres de Deus que parecem preparados no que diz respeito à informação e, no entanto, emocionalmente engatinham como crianças. Quando contrariados, batem o pé, fazem “biquinho”, ficam melindrados e, por fim, procuram novas paragens onde seus comportamentos infantis são aceitos ou tolerados até que, novamente, sejam contrariados, para assim procurarem novos locais. E por aí vão, de lugar a lugar, de ministério a ministério, de igreja a igreja, de liderança a liderança e, desta forma as questões de caráter são lançadas para o fundo do poço e desenvolvem somente suas performances públicas e imagens midiáticas.
Testemunhei muitos jovens serem praticamente destruídos porque seus líderes deram-lhes espaço de evidência e grande notabilidade quando estes, ainda, não estavam emocionalmente prontos para lidar com as multidões, com os elogios, com a fama e com o brilho das luzes.
Parece que uma das marcas desta modernidade líquida ou pós-modernidade, seja lá como a queira chamar, são a sustentação da imagem e a valorização da performance tomou conta dos nossos púlpitos e comunidades.
Vamos à igreja como vamos a um show, sentamos e esperamos novas e surpreendentes manifestações do Divino e, como o Divino não aparece porque o foco não é mais ELE, e ELE não divide a sua glória, criamos mecanismos de manipulação da alma.
Usamos a música, a entonação da voz, efeito de luzes e até gelo seco para dar um ar místico simulando a nuvem de glória que um dia desceu sobre o tabernáculo, sobre o templo e envolveu os discípulos no monte da transfiguração.
Tudo isso me faz lembrar a história dos dois padres que caminhavam e, ao verem um mendigo sentado à porta da igreja pedindo esmola, comentaram:
– É, agora não precisamos mais dizer “Não possuo nem prata nem ouro” lembrando o momento em que Pedro e João subiam ao templo para orar e sentado à porta do templo chamada Formosa estava um coxo a mendigar. E o outro padre responde:
-É verdade, mas também não podemos mais dizer “Em nome de Jesus Cristo, Nazareno, levanta e anda”
Trocamos a glória da presença de Deus por fumacinha.
Trocamos o Divino por “estrelas” do mundo gospel.
Trocamos o arder nos corações por mantras gospel (frases musicais repetidas, inúmeras vezes que exercem efeito em nossas emoções).
Trocamos o ajuntamento santo por ajuntamento social.
Trocamos a contrição por performance “espiritual”.
Vivemos uma espiritualidade gasosa na qual compromisso, fidelidade, lealdade, abnegação e perseverança escaparam pelas mãos e ficaram apenas como marcas de um passado moderno não muito distante.

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