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Lula tenta esconder passado ao dizer que nunca foi de esquerda
“Eu nunca fui esquerdista”, diz Lula. pic.twitter.com/Tm06WSer4i
— Silvio Navarro (@silvionavarro) June 17, 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou, nesta quarta-feira (17), durante conversa informal no âmbito da reunião do G7, que “nunca” foi um “esquerdista”. Na mesma ocasião, ele defendeu o sistema de votação eletrônico adotado no Brasil e sugeriu que a Organização das Nações Unidas (ONU) deveria incorporá-lo como referência para outros países.
As falas ocorreram em diálogo com o primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, e com a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva. Embora a conversa tivesse caráter reservado, a chegada dos líderes ao encontro em Évian-les-Bains, na França, era transmitida ao vivo, e os diálogos puderam ser ouvidos ao fundo.
Lula discorria sobre a alternância de lideranças de direita e esquerda nas principais nações ocidentais. Observou que a direita esteve no poder por mais tempo e concluiu que “o mundo não é de esquerda”. “Ou seja, o que isso prova? Que o mundo não é de esquerda (risos). O mundo é do caminho do meio. Essa é a verdade”, afirmou.
Georgieva, então, interveio: “Mas quando você foi presidente pela primeira vez, todo mundo esperava que você fosse um esquerdista, e você não foi”.
Em resposta, Lula mencionou um episódio dos anos 1980 para justificar sua posição: “Mas eu nunca fui esquerdista. Veja, eu era um dirigente sindical que tinha uma belíssima relação com o sindicalismo alemão, tinha uma relação com o sindicalismo italiano, com a UGT espanhola. Em 1980, eu tinha um congresso na Rússia em que fui convidado e não fui para a Rússia porque estava condenado pela lei de segurança nacional. Fiz uma viagem pela Europa angariando solidariedade e passei a ser tratado como anticomunista”.
Defesa da urna eletrônica
Antes desse intercâmbio, Lula explicava a Merz e a Georgieva o funcionamento do sistema de votação brasileiro. Descreveu, passo a passo, o processo: o eleitor se dirige à urna, os itens proibidos, a escolha dos candidatos, entre outros detalhes. “A eleição no Brasil é muito rápida. A eleição termina às 17h e às 19h já temos os resultados de 160 milhões de votos. Eu não sei porque a ONU não adota o sistema eletrônico como orientação aos outros países”, disse.
Merz respondeu, em tom bem-humorado, que “na Alemanha nós não temos” esse sistema.
O presidente brasileiro afirmou ainda que “em 30 segundos ele (eleitor) vota” e procurou transmitir a simplicidade do processo. Mencionou que a campanha eleitoral é curta, com “quatro ou cinco candidatos” na disputa presidencial, e declarou que é “o único eleito três vezes e possivelmente o único eleito quatro vezes”.
A conversa aconteceu antes da reunião oficial do G7, realizada na França. Lula participou do encontro como convidado.
Reações de parlamentar e analista
As declarações do presidente geraram críticas. O comentarista Rodrigo Constantino lembrou o histórico de Lula ao lado de lideranças da esquerda internacional. Ele mencionou que o petista “fundou o Foro de SP com Fidel Castro para resgatar na América Latina o que havia sido perdido no Leste Europeu, i.e., o comunismo”.
Acrescentou ainda que Lula “comemorou a própria indicação do companheiro Flávio Dino ao STF como o primeiro comunista da Corte”, além de “sempre [ter] defendido o companheiro Maduro” e ter afirmado que “se tornaria cada vez mais socialista”. “As pautas do PT são todas da extrema esquerda. Imagina então se Lula fosse de esquerda!”, concluiu.
O deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança também se manifestou criticamente nas redes sociais: “Agora a esquerda quer fingir que nunca foi esquerda. Quando a marca apodrece, eles trocam a embalagem, chamam de ‘meio’, ‘centro’, ‘democracia’ ou qualquer outro nome que esconda o velho projeto de sempre. Mais imposto. Mais Estado. Mais controle. Menos liberdade. A esquerda não mudou. Só percebeu que o povo acordou.”
