arqueologia bíblica

Pintura de Jesus da antiguidade é encontrada na Turquia
Representação faz alusão à parábola do bom pastor

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Arqueólogos que atuam em diferentes regiões da Turquia vêm realizando descobertas que ampliam o conhecimento sobre os primeiros séculos do cristianismo. Entre os achados está o que pesquisadores consideram ser a imagem de Jesus mais bem preservada já encontrada.

As descobertas foram feitas nos últimos anos na Anatólia, região que corresponde à atual Turquia, e incluem igrejas identificadas recentemente, túmulos cristãos, inscrições e diversos artefatos. Os pesquisadores afirmam que os achados reforçam a importância da região para a expansão do cristianismo após a morte e a ressurreição de Jesus.

A professora Candida Moss afirmou que o volume de descobertas relacionadas ao cristianismo primitivo tem grande relevância histórica. Segundo ela, a Turquia pode ser considerada, sob vários aspectos, o berço do cristianismo em seus primeiros séculos.

Um dos achados mais significativos foi encontrado em Iznik, no oeste da Turquia. Arqueólogos localizaram um afresco do século III que retrata Jesus como o Bom Pastor. A pintura é considerada uma das representações mais antigas conhecidas de Cristo na fase adulta e permaneceu em excelente estado de conservação por estar em um túmulo familiar selado, com baixa circulação de oxigênio.

A obra, datada entre o início e a metade do século III, mostra Jesus com cabelos curtos, sem barba e usando vestimentas de estilo romano. Os pesquisadores avaliam que a preservação do afresco oferece uma rara oportunidade de compreender como parte dos primeiros cristãos imaginava a aparência de Cristo há aproximadamente 1.800 anos.

Os estudos arqueológicos ocorrem enquanto especialistas continuam investigando a transformação do cristianismo de um pequeno movimento religioso frequentemente perseguido para a religião oficial do Império Romano ao longo de poucos séculos.

Escavações recentes também trouxeram novas evidências sobre o culto imperial romano, prática voltada à veneração dos imperadores. Pesquisadores afirmam que a disseminação desse culto pela Anatólia influenciou o desenvolvimento do cristianismo, que em diversos momentos se posicionou em oposição à autoridade imperial.

Nos últimos anos, arqueólogos encontraram estátuas e fragmentos ligados a imperadores romanos como Marco Aurélio e Adriano em diferentes sítios da Turquia. Os estudiosos afirmam que a compreensão da expansão do culto imperial ajuda a contextualizar passagens do Novo Testamento, especialmente o livro do Apocalipse.

Várias das sete igrejas mencionadas no Apocalipse também têm sido alvo de novas pesquisas. Em Laodiceia, arqueólogos identificaram uma igreja doméstica do século IV, uma das poucas desse tipo conhecidas no mundo. Em Sardes, pesquisadores continuam estudando uma grande igreja do século VI que pode ter influenciado a arquitetura bizantina desenvolvida posteriormente.

Na antiga Esmirna, especialistas analisaram grafites e inscrições cristãs datados do século II. Alguns pesquisadores acreditam que essas marcas podem estar entre os registros escritos cristãos mais antigos preservados até a atualidade.

Em Pérgamo, arqueólogos identificaram o que pode ser uma das representações mais antigas conhecidas de São Jorge. A imagem foi encontrada em um frasco de peregrino do século V. As escavações também investigam um anfiteatro associado ao martírio de cristãos nos primeiros séculos da fé.

Novos trabalhos em Éfeso revelaram aspectos da vida cotidiana durante o período cristão bizantino. Um bairro soterrado pelas cinzas de um grande incêndio forneceu milhares de artefatos, entre eles peças de cerâmica, restos de alimentos e objetos relacionados à peregrinação cristã.

Embora a Turquia possua uma rica herança ligada ao cristianismo, dados oficiais apontam que cerca de 99% da população do país é muçulmana, segundo o The Christian Post. Nos últimos anos, também foram registrados casos de cristãos que tiveram a entrada no país negada após serem classificados pelas autoridades como ameaças à segurança nacional.

O Relatório de Violações dos Direitos Humanos de 2024, divulgado pela Associação das Igrejas Protestantes, registrou aumento nos crimes de ódio contra cristãos. O documento foi publicado em meio às declarações do governo turco de que a liberdade religiosa continua sendo protegida no país.

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