arqueologia bíblica
Cerâmica de 2.700 encontrada por arqueólogos confirma 2 Rs
Um fragmento de cerâmica datado de aproximadamente 2.700 anos foi descoberto próximo ao Monte do Templo, oferecendo novas evidências sobre a correspondência real entre os reinos da Assíria e de Judá. O artefato, escrito em cuneiforme acádio, remonta ao período do Primeiro Templo, por volta de 700 a.C., e foi identificado como a única inscrição assíria encontrada em Jerusalém dessa época, segundo comunicado da Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA).
Os pesquisadores acreditam que o texto trata de um atraso no pagamento de tributos ou obrigações oficiais. De acordo com a IAA, a inscrição menciona o “primeiro dia do mês de Av” e faz referência a um “oficial de carruagem”, figura de alta patente responsável por transmitir comunicações reais no império assírio. A autoridade explicou que esse tipo de função é amplamente registrada nos arquivos administrativos assírios.
Os arqueólogos destacaram que a mensagem parece refletir os eventos descritos em 2 Reis 18, onde o rei Ezequias, de Judá, entra em conflito com o império assírio. A passagem bíblica relata a rebelião fiscal de Ezequias, seguida pela invasão do reino de Judá e pela exigência de pagamento por parte do rei da Assíria.
O texto bíblico registra: “Então Ezequias, rei de Judá, enviou esta mensagem ao rei da Assíria em Laquis: ‘Eu fiz o mal. Retira-te de mim, e pagarei tudo o que me exigires.’” (2 Reis 18:14). O relato prossegue informando que o rei assírio exigiu trezentos talentos de prata e trinta talentos de ouro como tributo.
A Autoridade de Antiguidades de Israel afirmou que as características linguísticas e materiais do fragmento coincidem com o período do rei assírio Senaqueribe ou de seus sucessores, podendo ecoar o relato bíblico da rebelião de Ezequias.
O pesquisador Peter Zilberg, da Universidade Bar-Ilan, explicou ao jornal The Times of Israel que o fragmento é provavelmente parte de uma bula, uma selagem real usada para resumir e autenticar documentos oficiais. “Muitos desses selamentos eram aplicados em cartas ou decretos destinados a figuras de alto escalão”, afirmou.
Segundo Zilberg, o contexto histórico da peça corresponde a um período de instabilidade no reino de Judá. “Temos a revolta de Ezequias contra Senaqueribe. Ele atrasou o pagamento de impostos por um certo tempo, levando o rei da Assíria a marchar sobre Jerusalém”, explicou.
A descoberta reforça a convergência entre registros arqueológicos e narrativas bíblicas, especialmente no que diz respeito às relações políticas e tributárias entre Judá e Assíria no final do século VIII a.C. Para estudiosos, o fragmento representa um testemunho material de um episódio mencionado nas Escrituras, confirmando que a correspondência diplomática entre reinos da época era uma prática consolidada e registrada oficialmente, de acordo com o CrossWalk.
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