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Cristão que salvou milhares do Estado Islâmico permanece preso sem motivo formal

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Suleiman Khalil, cristão e ex-prefeito da cidade síria de Sadad, conhecido por salvar milhares de pessoas do Estado Islâmico, está detido pelo governo do país há mais de um ano sem responder a acusações formais. A informação é da EWTN News. Khalil foi preso em sua própria casa no dia 8 de fevereiro de 2025, sem que as autoridades sírias tenham informado o motivo da detenção.

“Já faz 19 meses desde que o pegaram. Não sabemos por que o pegaram. Eles não alegaram que têm acusações contra ele. Não podíamos contratar um advogado. Eles vieram até nossa casa e disseram: ‘Ele era procurado'”, contou Natalie Khalil, filha do ex-prefeito, em entrevista ao programa “EWTN News Nightly”.

Suleiman Khalil é reconhecido também por sua fé cristã e, durante seu mandato, organizou uma operação de defesa de Sadad contra um ataque do Estado Islâmico em 2015. O esforço do então prefeito salvou mais de 9.000 moradores.

“Suleiman Khalil é muito conhecido na Síria por salvar a cidade”, afirmou Joel Veldkamp, diretor de defesa pública do Christian Solidarity International (CSI), organização que apoia cristãos perseguidos.

Restrições durante as visitas

Natalie relatou que a família enfrentou limitações nas visitas a Khalil na prisão, incluindo regras que proibiam a expressão de sua fé cristã. “Mesmo quando íamos visitar, não podíamos ser nós mesmos. Fomos convidados a usar hijab para cobrir a cabeça e o cabelo. Íamos cobrindo o corpo inteiro. Mesmo assim, meu irmão foi usando um colar com uma cruz — tiraram o colar do pescoço dele. Não nos era permitido ser cristão naquele lugar”, denunciou. E acrescentou: “Não consegui trazer uma Bíblia para dentro da prisão”.

Carta a Donald Trump

Natalie enviou uma carta ao presidente americano Donald Trump pedindo ajuda para libertar seu pai. “Eu acredito em Deus e continuo acreditando que compaixão e justiça podem alcançar até as situações mais difíceis”, escreveu. “Peço humildemente que, por favor, investigue o caso do meu pai e, se houver alguma forma legal de ajudar, que o faça. Não estou pedindo tratamento especial. Peço justiça, compaixão e uma revisão justa do caso do meu pai.”

E continuou: “Senhor Presidente, o senhor defendeu a proteção dos cristãos perseguidos, e peço que faça isso novamente pelo meu pai, meu herói, Suleiman Khalil. Para o mundo, ele pode ser um homem, mas para mim, ele é meu pai, meu modelo e meu herói. Sou apenas uma filha pedindo ajuda para trazer o pai de volta para casa”.

“Punido por suas ações anteriores”

Para Joel Veldkamp, Khalil está sendo punido por suas ações passadas, quando protegeu sua cidade da ameaça de terroristas. O diretor explicou que Khalil não estava alinhado com o antigo regime, mas era um político cristão independente que agiu para salvar Sadad.

“Para o novo governo sírio, que está no poder há apenas cerca de dois anos, dizer aos Estados Unidos que estão entrando na luta contra o terrorismo, e depois colocar um homem como este na prisão, isso envia uma mensagem muito confusa aos EUA. Isso envia uma mensagem terrível aos cristãos na Síria, que estão realmente incertos sobre seu futuro sob esse novo governo”, observou.

Cristãos em risco na Síria

Conforme o Christian Today, o novo governo sírio tem sido incapaz de impedir a violência de grupos militantes armados. A vida tornou-se mais desafiadora para os cristãos no país sob a nova liderança de Ahmed al-Sharaa – ligado a grupos islâmicos –, que assumiu a presidência após a queda de Assad em dezembro de 2024.

O ataque terrorista à Igreja do Profeta Elias em junho de 2025 reacendeu os temores da comunidade cristã de sofrer mais perseguição de radicais islâmicos. Em março do ano passado, confrontos entre forças governamentais e combatentes pró-Assad resultaram na morte de centenas de civis e soldados.

Em menos de 24 horas, centenas de cristãos foram massacrados na região costeira da Síria por muçulmanos locais. Relatórios indicam que o ataque coordenado ocorreu nas regiões sírias de Jableh e Baniyas, onde comunidades cristãs e alauítas vivem historicamente. Com: Guiame.

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