testemunhos
Ex-gay, cristão processado por testemunho é absolvido
Um cristão que testemunhou ter abandonado a prática homossexual após entregar sua vida a Jesus Cristo foi absolvido pela Justiça de Malta em um processo que durou cerca de três anos. Matthew Grech havia sido acusado de promover práticas associadas à chamada “terapia de conversão”, proibida pela legislação do país.
O caso teve início em 2022, quando Grech concedeu uma entrevista ao portal PMNews Malta. Na conversa, ele relatou seu testemunho de fé e afirmou acreditar que mudanças relacionadas à atração por pessoas do mesmo sexo podem ocorrer por meio da fé cristã e de acompanhamento terapêutico.
Após a entrevista, Grech foi acusado de violar a lei maltesa que proíbe práticas destinadas a alterar ou suprimir a orientação sexual ou a identidade de gênero de uma pessoa. A legislação está em vigor no país desde 2016, quando Malta se tornou o primeiro país da União Europeia a aprovar uma norma desse tipo.
Ao comentar a decisão judicial em frente ao tribunal, Grech afirmou que considera a sentença uma defesa das liberdades religiosas e de expressão. “Os cristãos devem ter a liberdade de compartilhar seus testemunhos, compartilhar o que Deus fez em suas vidas, compartilhar seus pontos de vista sobre sexualidade e gênero e compartilhar a Palavra de Deus livremente, sem qualquer sentimento de intimidação, medo ou assédio”, declarou.
Grech também afirmou que a decisão abre espaço para debates públicos sobre o tema. “Os tribunais malteses decidiram a favor da liberdade de expressão, da liberdade religiosa, e estamos muito gratos por finalmente podermos vislumbrar um futuro onde possamos presenciar a restauração de uma discussão saudável, um debate saudável em torno da sexualidade e do gênero”, afirmou.
Em outra declaração, ele disse acreditar que experiências de transformação pessoal podem ocorrer. “E a verdade é: transformação, mudança, é real, é possível, e é hora de trazer a discussão de volta à mesa”, acrescentou.
Processo judicial
Após a divulgação da entrevista, Grech foi levado a julgamento e enfrentava a possibilidade de até cinco meses de prisão e multa de até 5 mil euros. As alegações finais do processo ocorreram em fevereiro de 2025.
A decisão judicial era aguardada ainda naquele ano, mas foi adiada em diversas ocasiões. Na quarta-feira (4), o tribunal anunciou a absolvição do acusado.
Após o anúncio da decisão, Grech comentou o resultado em suas redes sociais. “É uma vitória! Louvado seja Jesus!”, escreveu.
Durante as declarações posteriores ao julgamento, Grech criticou a legislação utilizada no processo e pediu sua revogação. “Trata-se simplesmente de uma arma nas mãos de ativistas e precisa ser abolida”, afirmou.
Ele também relatou os impactos pessoais do processo judicial. “Ao longo desses últimos três anos, o próprio processo se tornou a punição. Sofri desgaste emocional, danos à minha reputação, prejuízos financeiros e incerteza constante. Ninguém deveria ter que viver sob o peso de acusações criminais simplesmente por exercer seu direito à liberdade de expressão”, declarou.
Repercussão
Grech afirmou que considera a decisão judicial um reconhecimento do direito de compartilhar experiências pessoais de fé. Segundo ele, relatar a própria trajetória espiritual não deveria ser tratado como crime.
Além de Grech, os dois jornalistas que participaram da entrevista também foram processados e posteriormente absolvidos.
A advogada Andrea Williams, diretora executiva da organização jurídica Christian Legal Centre, que auxiliou na defesa, comentou o resultado do julgamento. “É um grande dia para o Evangelho e um grande dia para mostrar que a mudança é possível e para sermos livres para falar dessa mudança”, afirmou.
Williams também criticou o uso do termo “terapia de conversão” no processo. Segundo ela, a expressão foi aplicada de forma ampla e inadequada. A advogada afirmou que Grech foi processado apenas por relatar sua experiência de fé cristã e sua decisão pessoal de seguir a Cristo.
“A absolvição de hoje envia uma mensagem inequívoca: as tentativas de criminalizar o ensino e o testemunho cristãos não prevalecerão”, declarou.
