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Ex-trans: ‘É irresponsável deixar que crianças passem por isso’
Sophie Griebel, uma ex-trans que viveu como homem por vários anos, tornou-se uma defensora ativa da conscientização sobre a destransição. Hoje, atuando como coach de saúde mental, ela compartilha sua jornada pessoal para aumentar a compreensão sobre aqueles que, após passarem por processos de transição de gênero, decidem reverter essas mudanças e retornar ao sexo biológico.
A destransição refere-se ao processo de reversão de uma transição de gênero, onde indivíduos que anteriormente se identificavam com o gênero oposto ao seu sexo biológico optam por abandonar a mudança e reconectar-se com sua identidade de nascimento.
Em uma entrevista ao Instituto de Antropologia Médica e Bioética (IMABE), Sophie compartilhou suas reflexões sobre a crescente busca por tratamentos de transição, especialmente entre jovens. Ela relatou que sua decisão de transitar foi influenciada por experiências traumáticas na infância, incluindo abusos emocionais e sexuais dentro de sua família.
“O fato de eu ter sofrido muita violência, abuso e estupro dentro da minha família desempenhou um papel importante nisso”, revelou.
A coach destacou ainda que, durante sua juventude, enfrentou dilemas relacionados à sua sexualidade, além de pensamentos suicidas e distúrbios psicológicos. Contudo, a virada em sua jornada aconteceu quando descobriu que seu irmão também havia sido vítima de abuso sexual.
“Percebi que não era por causa do meu gênero que coisas traumáticas tinham acontecido comigo”, disse Sophie, apontando que sua destransição foi marcada pelo tratamento de questões emocionais profundas, em vez de focar exclusivamente na mudança física.
Além disso, Sophie expressou preocupação com a decepção crescente entre jovens que passam pela transição de gênero. Ela acredita que o ambiente em que uma pessoa se encontra pode influenciar sua percepção da transição. “Talvez ajude simplesmente deixar seu ambiente familiar, se possível, porque você se sente mais livre sem o olhar crítico dos outros”, sugeriu.
Ela afirmou que muitos jovens que buscam a transição de gênero estão lidando com questões emocionais não resolvidas, como rejeição familiar ou dificuldades de identidade. Sophie criticou a tendência de tratar a transição como uma solução rápida para tais questões, alertando que a mudança de sexo pode não abordar os problemas subjacentes. A coach questiona ainda a tendência da sociedade em promover a transição sem examinar adequadamente as causas psicológicas que motivam essas decisões.
Em relação ao apoio familiar, Sophie aconselha os pais a serem cautelosos ao lidar com as declarações de seus filhos sobre a transição de gênero. “Eu sempre aconselho os pais a não se dirigirem à criança pelo nome desejado. Não é uma solução procurar a próxima consulta possível com um endocrinologista se as causas reais não foram tratadas”, afirmou.
Por fim, Sophie ressalta que a sociedade e os profissionais de saúde devem focar na identificação e no tratamento das causas profundas do desconforto com o próprio gênero, em vez de recorrer a soluções rápidas como a “mudança de sexo”.
Ela critica a abordagem adotada por alguns países, como a Alemanha, que permite mudanças de nome e gênero em cartórios a partir dos 14 anos. Sophie considera que isso pode ser irresponsável e prejudicial para jovens que ainda não possuem a maturidade necessária para compreender totalmente as implicações de tais decisões, conforme destacam informações do CNE.
Em sua fala, Sophie reforça que a destransição é uma jornada complexa e pessoal, que exige atenção às questões emocionais e psicológicas subjacentes, mais do que a busca por soluções externas e imediatas.
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