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Nos EUA, pastor chinês relata rotina de tortura do Partido Comunista da China
Em seu primeiro pronunciamento público em solo norte-americano desde que desembarcou nos Estados Unidos no último ano, o pastor Ding Shuqi, uma das lideranças da congregação Early Rain Covenant, levou ao Museu da Bíblia, na capital americana, um relato detalhado sobre a repressão sistemática imposta pelo regime comunista da China a fiéis cristãos.
Segundo o líder religioso, cristãos que não aceitam subordinar seus princípios ao crivo de Pequim enfrentam um cerco permanente marcado por espionagem estatal, encarceramentos sem justificativa jurídica e coação física.
Cárcere, privação e métodos de tortura
Ao resgatar sua trajetória sob a mira das autoridades chinesas, Ding relembrou a grande ofensiva policial desencadeada em 2018. Na ocasião, ele acabou detido sob o pretexto oficial de praticar “atividades comerciais ilegais”, passando quase meio ano sob custódia arbitrária. Durante o confinamento, teve sua identidade substituída por um número de identificação e suportou períodos prolongados de isolamento total.
O pastor também expôs as práticas abusivas a que foi submetido, incluindo uma técnica de suplício físico conhecida como “o dragão segurando o pilar”, na qual o prisioneiro é obrigado a permanecer longas horas agachado, com pernas e mãos acorrentadas simultaneamente. Sem qualquer acesso a representação jurídica, incomunicável com os parentes e impedido de ter uma Bíblia, ele permaneceu sob vigilância constante de outros custodiados.
Mesmo após obter liberdade vigiada, a repressão não arrefeceu. Conforme expôs Ding, as reuniões domésticas e grupos comunitários de leitura bíblica da Early Rain Covenant continuam sendo desmantelados por incursões da polícia. A ofensiva penal sobre a cúpula da igreja se intensificou: nomes como Li Yingqiang, Dai Zhichao e Jia Xuewei respondem atualmente a processos por suposta “subversão contra o poder do Estado”, acusação que pode render condenações de até duas décadas de reclusão.
Alerta global às vésperas de visita de Xi Jinping
Ding sustentou que os abusos não constituem episódios pontuais, mas sim uma diretriz governamental coordenada para asfixiar as congregações clandestinas na China. Em seu apelo, classificou a liberdade de culto como o pilar estrutural sobre o qual se sustentam as demais garantias individuais, conclamando a comunidade internacional e os chefes de Estado a cobrarem respostas diretas do presidente Xi Jinping.
O encontro em Washington, articulado por entidades civis em prol dos direitos religiosos, ocorreu em um momento estratégico, antecedendo a viagem oficial do mandatário chinês aos EUA. Paralelamente ao evento, parentes de lideranças aprisionadas — a exemplo do pastor Wang Yi, condenado em 2019 a nove anos de prisão — intensificam o diálogo com a diplomacia americana em busca de pressão política pela anistia e soltura de presos por motivos de consciência. Com: Folha Gospel.
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