opinião
Um país pela gota d’água
O Senhor nos mostra o caminho. Mas precisamos dar o primeiro passo.
Vivemos um momento de “cada um por si”, muito egoísmo e, em casos extremos, de ódio ao irmão. Está para cair a gota d’água que desagrega de vez a sociedade.
Sinal do momento crítico, a desconfiança dos cidadãos se aproxima do Judiciário, o último dos três Poderes que sustentam o Estado democrático de Direito e que amparava a esperança dos guerreiros da cidadania. Parece que o sonho de uma sociedade mais igual se transformou em um pesadelo de mil e uma noites. Em cada uma delas, contam pra gente uma nova história de assalto aos cofres públicos.
Cidadãos apostavam nas decisões judiciais para sanear a adminsitração pública, passar a limpo a política e os quadros políticos. Mas agora temem que a política também contamine as decisões dos magistrados.
Passamos uma fronteira perigosa, que pode nos levar ao caos, ao rompimento dos direitos e deveres que nos tornam uma sociedade. Estamos nos aproximando de um vazio institucional, de descrença no Estado. Vejam bem, no Estado, não em governos. Ou seja, a descrença na vida em coletivo, organizada a partir de valores e regras para todos, não em benefício deste, daquele ou do meu próprio. A lei do “pirão pouco? Meu prato primeiro”, “cobertor curto? Dá logo meu retalho “.
Meus amigos, ando esse Brasil todo na minha missão de levar a Palavra de Deus. Nas grandes cidades e nos lugarejos que nem são cidades, isso é o que tenho visto. E não de hoje; vem crescendo nos últimos anos. Decepção, desamparo, desgosto e privações diante de 14 milhões de desempregados – um exército da desesperança que cresce a cada dia, e pesa sobre a gota d’água prestes a cair.
Compartilho com vocês a carta de uma servidora pública do Rio de Janeiro, de 2007, publicada no portal do Governo do Estado do Rio.
“Se é consenso geral que, ‘para que haja mudança de comportamento na sociedade é necessária uma ação educativa permanente, voltada para novas práticas sociais, desenvolvendo em nós hábitos, atitudes e valores éticos que devem refletir as necessidades do bem comum’. Decidi que preciso começar essas mudanças por mim, sou eu que preciso de mudanças, percebi que nossos governantes, tanto quanto eu, praticamos atos não éticos, entendi que a mudança que quero para minha sociedade, depende do meu nível de consciência do bem público, do meu respeito ao próximo. Entendi que não posso fazer tudo, mas que é urgente que eu atue, seja no meu condomínio, no meu bairro, na minha cidade, seja adquirindo conhecimentos para intervir, seja transmitindo outros conhecimentos e já intervindo.”
Não podemos desistir.
O Senhor nos mostra o caminho. Mas precisamos dar o primeiro passo.
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