política
Churchill é lembrado por Mocellin ao elogiar Malafaia
O pastor Rodrigo Mocellin, líder da Igreja Resgatar, em Guaratinguetá (SP), e youtuber, manifestou apoio público ao pastor Silas Malafaia, após este ser incluído pela Polícia Federal em um inquérito que apura a suposta “tentativa de golpe”. Em vídeo publicado em seu canal, Mocellin elogiou a postura firme do líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo diante da investigação.
“A posição do Malafaia é muito correta. Eu acho ele tão errado na teologia, mas é impressionante como vários pastores que eu considero que estão tão certos teologicamente, estão tão errados politicamente. Devem aprender com Malafaia”, afirmou.
Críticas ao Supremo
Rodrigo Mocellin recordou declarações do deputado Gustavo Gayer (PL-GO), que atribuiu a Malafaia um papel central na convocação de manifestações após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo Mocellin, essa liderança explicaria a inclusão do pastor no inquérito.
“O deputado Gustavo Gayer diz que isso aqui está acontecendo porque o Bolsonaro está preso e agora quem pode convocar manifestação, por exemplo, manifestação no dia 7 de setembro? Quem pode? Era o Malafaia, porque é o Malafaia que tem convocado essas últimas manifestações”, declarou.
Ao comentar a reação de Malafaia, que soube da investigação pela imprensa, Mocellin destacou o tom combativo do pastor. “O Malafaia foi colocado nesse inquérito, recebeu a notícia, nem foi pela justiça, foi pela Globo News, ele diz ‘bem estranho isso’, não? E o que ele faz aqui? Ele fala ‘não tenho medo’. E aí ele fala, ‘ditador’ – o Moraes – ‘tem que ser impedido, preso’. Que coisa, não? Ele não é frouxo. Você pode falar o que você quiser dele. Frouxo esse cara não é”.
Crítica à omissão
Mocellin também aproveitou para criticar líderes evangélicos que, em sua avaliação, preferem evitar o debate político. Para ele, a ausência de posicionamento fortalece injustiças.
“O quanto que tem, a quantidade de pastor certinho que é frouxo. Teologicamente eu acho que ele é tão errado, tão errado. Mas tão macho, né? Ô meu Deus, quem dera a gente tivesse uns pastores certinhos, mas bravos, mais corajosos. É isso que a gente precisa, porque ao longo das últimas décadas, o que os cristãos fizeram? Arregaram. Mas, é óbvio, de maneira piedosa”, ironizou.
Em seguida, afirmou que esse comportamento contrasta com a missão profética da igreja: “‘Não nos envolvemos com política’. Ah, então entregamos aos lobos? Foi isso que a gente fez. Outra maneira piedosa de não confrontar, como os profetas confrontaram os líderes, os governantes e os juízes da época. Uma maneira de fugir dessa função profética do pastor, da igreja, dos cristãos; uma maneira piedosa, dizendo, ‘nós temos que amar e dar a outra face’. E pregaram uma espécie aí de pacifismo. Tudo em nome do amor. ‘Vamos deixar. Vamos engolindo tudo’”.
Comparação histórica
O pastor também fez referência a um episódio histórico da Segunda Guerra Mundial, comparando a omissão de líderes cristãos com a política de apaziguamento adotada em 1938.
“Deixe-me lembrá-los de que não se pode arregar para ditadores. Você se lembra do acordo de Munique? Setembro de 1938. Chamberlain, primeiro-ministro da Inglaterra, volta da Alemanha com um pedaço de papel – assinado por Hitler – que traria paz para o nosso tempo. Foi isso que ele disse. ‘Fizemos a paz com Hitler’. Isso ficou conhecido como o famigerado Acordo de Munique”, explicou.
Mocellin detalhou que, ao ceder às exigências de Hitler, o Reino Unido acabou humilhado e ainda assim enfrentou a guerra meses depois. “O que o Churchill – que viria a ser primeiro-ministro da Inglaterra – disse? Entre a desonra e a guerra, vocês escolheram a desonra. Por isso terão a guerra. Ou seja, entre a desonra de aceitar as exigências de um cafajeste e a guerra, vocês escolheram a desonra. Vocês foram frouxos”
Ao final, Mocellin reforçou o exemplo de Silas Malafaia como alguém que, em sua visão, não se intimida diante de pressões. “O Silas Malafaia deu um bom exemplo ao não arregar. Que Deus levante mais gente assim”, declarou.
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