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Dia do Homem levanta alerta sobre negligência na saúde mental masculina
Por décadas, a imagem do homem forte, que não demonstra emoções e suporta dificuldades em silêncio foi cultivada como ideal de masculinidade. No entanto, especialistas advertem que esse comportamento tem custos elevados para a saúde mental. Celebrado nesta quarta-feira (15), o Dia do Homem serve como um convite à reflexão sobre a importância do autocuidado, da prevenção e da busca por ajuda profissional diante dos primeiros sinais de adoecimento emocional.
Embora os índices de diagnóstico de depressão e ansiedade sejam menores entre os homens do que entre as mulheres, eles tendem a procurar atendimento psicológico ou psiquiátrico muito mais tardiamente. O resultado é que muitos casos só são identificados quando o quadro já se agravou significativamente.
Dados revelam cenário preocupante
Segundo o inquérito Covitel 2023, disponível no Observatório da Saúde Pública da Umane, 6,9% dos homens brasileiros convivem com depressão, e 18,9% relatam sofrer de ansiedade. Na população em geral, esses índices sobem para 12,7% e 26,8%, respectivamente.
O Ministério da Saúde estima ainda que cerca de oito em cada dez mortes por suicídio no Brasil são entre homens — um dado que evidencia o grande desafio de fazer com que o público masculino busque auxílio antes que o sofrimento atinja níveis críticos.
Sintomas nem sempre são tristeza
Diferentemente do que muitos imaginam, a depressão masculina nem sempre se manifesta por meio de choro ou melancolia. De acordo com o psiquiatra Aléssio Miliorini, muitos homens expressam o mal-estar emocional por meio de irritabilidade, impaciência, isolamento social, queda no desempenho profissional e até abuso de álcool.
“Muitos homens costumam suportar tudo em silêncio, como se tristeza, ansiedade ou desânimo fossem sinais de fraqueza. Reconhecer os sintomas cedo ajuda a evitar que o sofrimento aumente e afete o dia a dia”, afirma o especialista.
Sinais de alerta
Entre os principais indícios a serem observados estão:
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Irritabilidade constante e explosões de raiva;
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Perda de interesse por atividades antes prazerosas;
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Distúrbios do sono e cansaço frequente;
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Sintomas físicos como taquicardia, tensão muscular e dores sem causa aparente;
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Afastamento de familiares e amigos;
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Aumento do consumo de bebidas alcoólicas ou automedicação.
Estigma ainda é a maior barreira
Pesquisas recentes mostram que a cultura da masculinidade tradicional segue como um dos maiores obstáculos ao cuidado com a saúde mental. Um estudo de 2025, publicado no Journal Archives of Health, concluiu que a depressão masculina permanece subdiagnosticada porque muitos homens ocultam os sintomas ou os expressam de formas atípicas.
Já uma pesquisa de 2026 aponta que fatores como isolamento social, aposentadoria e dificuldade de expressar emoções elevam o risco de sofrimento psíquico entre homens, especialmente os mais velhos. Para especialistas, desconstruir a ideia de que pedir ajuda é sinal de fraqueza é um passo fundamental para reduzir os índices de adoecimento mental e suicídio.
Cuidado emocional como parte da rotina
Assim como exames preventivos para doenças cardiovasculares ou câncer de próstata, o cuidado com a saúde emocional deve ser incorporado à rotina masculina. Psicoterapia, acompanhamento psiquiátrico quando necessário, atividade física regular, sono adequado, alimentação equilibrada e fortalecimento de vínculos afetivos estão entre as práticas que ajudam a preservar o bem-estar.
Especialistas recomendam buscar ajuda sempre que sentimentos de tristeza, ansiedade, irritabilidade ou desânimo persistirem por várias semanas e começarem a prejudicar a rotina, o trabalho e os relacionamentos.
Dicas para cuidar melhor da saúde mental:
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Reservar tempo para descanso e lazer;
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Praticar exercícios físicos com regularidade;
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Dormir entre 7 e 9 horas por noite;
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Evitar o álcool como válvula de escape;
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Manter contato com familiares e amigos;
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Buscar atendimento psicológico aos primeiros sinais de sofrimento;
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Não hesitar em consultar um psiquiatra quando houver indicação.
Mais do que uma data comemorativa, o Dia do Homem reforça que saúde integral é aquela que abrange corpo e mente. Falar sobre emoções, reconhecer limites e procurar apoio profissional são atitudes de responsabilidade consigo mesmo e com quem está ao redor. Com: Comunhão.
