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Malafaia aconselha Flávio Bolsonaro a escolher vice nordestina e não evangélica

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Malafaia aconselha Flávio Bolsonaro a escolher vice nordestina e não evangélica
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O pastor Silas Malafaia revelou, nesta segunda-feira (13), que orientou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, a definir como companheira de chapa uma mulher natural do Nordeste e que não pertença ao universo evangélico. A estratégia, segundo o líder religioso, visa ampliar o alcance eleitoral do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em conversa recente com o senador, Malafaia detalhou o perfil desejado: “Falei para o Flávio: você precisa escolher uma mulher do Nordeste”, afirmou. Ele reforçou que a indicação deve ser uma “nordestina raiz” – expressão usada para designar forte identidade com a região – e que não seja evangélica.

O pastor explicou que o cálculo é duplo: de um lado, busca furar a resistência histórica ao bolsonarismo nos estados nordestinos, decisivos desde 2018; de outro, reforçar a imagem pessoal do senador. “Eu disse para ele: ‘Essa escolha mostra que você é um cara de família, que não rejeita a mulher'”, relatou.

Malafaia argumentou que uma chapa composta por dois evangélicos limitaria o potencial de votos. “Que não seja evangélica, porque Flávio já é evangélico”, disse, defendendo a diversificação do perfil da candidatura. Segundo ele, a presença de uma mulher do Nordeste fora do nicho religioso funcionaria como sinal de abertura a outros segmentos do eleitorado.

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Pastor rejeita vice ligada ao agro e ao empresariado

O pastor afastou a possibilidade de uma vice com vínculos ao agronegócio ou ao setor empresarial – dois pilares tradicionais da direita. Para Malafaia, esses nomes não trariam votos novos. “Não vão somar”, afirmou, avaliando que figuras associadas ao agro ou ao mundo corporativo não ampliariam o espectro eleitoral de Flávio.

O comentário atinge, ainda que indiretamente, duas cotadas para a vaga: a senadora Tereza Cristina (PP-MS), representante ruralista, e a ex-presidente da Caixa Daniella Marques (Republicanos-SP), com trajetória no mercado financeiro e na equipe econômica do governo Bolsonaro. Ambas circulam em conversas de bastidor, mas não se enquadram no modelo defendido pelo pastor.

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A aposta de Malafaia é em identidade, não em currículos técnicos ou redes econômicas. Em seu diagnóstico, a eleição de 2026 exigirá símbolos fortes para romper bolhas eleitorais. Uma vice vista como expressão do Nordeste e da presença feminina teria mais efeito do que alguém com trânsito consolidado no agronegócio ou nas empresas.

A lembrança de 2022 e o recado ao bolsonarismo

O conselho a Flávio vem acompanhado de uma história que o pastor gosta de repetir. Em 2022, um mês antes da convenção presidencial, ele passou cerca de uma hora no Palácio do Planalto tentando convencer Jair Bolsonaro a mudar a composição da chapa. “Expliquei para ele que era de fundamental importância escolher um vice do Nordeste”, recordou.

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Naquele momento, o então presidente já desenhava a disputa com Luiz Inácio Lula da Silva. Malafaia via na escolha regional do vice uma forma de reagir ao movimento petista, que trouxera Geraldo Alckmin para reduzir a vantagem bolsonarista em São Paulo e equilibrar o mapa eleitoral.

O pastor advogou a favor do ex-ministro do Turismo Gilson Machado, pernambucano, mas Bolsonaro optou por manter o general Walter Braga Netto. Malafaia disse ter elogiado o militar, definindo-o como “cara decente, um brasileiro fenomenal”, mas afirmou que “não somava nada à sua campanha”. No dia da convenção, segundo ele, o martelo já estava batido e o presidente não recuou.

A derrota de 2022 tornou-se, na narrativa do pastor, uma prova de tese. Ele sustenta que o resultado reforçou sua convicção de que a composição da chapa precisa priorizar cálculos eleitorais, não apenas lealdades políticas ou afinidades pessoais. O conselho a Flávio, agora, nasce dessa leitura: repetir a mesma lógica, com ajustes de gênero e religião, para tentar obter efeito oposto nas urnas.

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Influência religiosa e disputas internas

A intervenção de Malafaia expõe a força de líderes religiosos na engenharia eleitoral da direita brasileira. O pastor, figura central entre evangélicos alinhados ao bolsonarismo, fala da própria atuação com cautela pública. “É uma opinião que eu dei ao Flávio Bolsonaro. Eu não tenho o poder de decidir nada”, afirmou.

A fala, no entanto, contrasta com o esforço detalhado que ele descreve, tanto em 2022 quanto agora. Sua tentativa de desenhar a chapa presidencial de Jair Bolsonaro e, depois, a chapa de Flávio, mostra que conselhos religiosos se misturam à estratégia política em momentos decisivos.

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O desenho de uma vice nordestina, mulher e não evangélica também lança faíscas internas. Setores ligados ao agronegócio e ao empresariado, que investiram nas campanhas bolsonaristas e esperam espaço em chapas majoritárias, veem a sinalização como perda de prioridade. Ao mesmo tempo, lideranças evangélicas acostumadas a ocupar posições de destaque podem estranhar a defesa explícita de uma vice fora de seu campo de fé.

A movimentação reacende um dilema recorrente no bolsonarismo: manter a chapa homogênea, confortando a base mais fiel, ou arriscar uma composição mais ampla para buscar votos em territórios hostis, como o Nordeste.

O cenário até 2026

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O conselho de Malafaia chega em momento em que o tabuleiro de 2026 ainda está em montagem, mas as peças principais já se movem. Flávio Bolsonaro testa narrativas e alianças para se firmar como herdeiro político do pai e, ao mesmo tempo, como figura com identidade própria.

A escolha da vice, vista por políticos experientes como detalhe de fim de processo, passa a ocupar o centro da conversa. A estratégia do pastor tenta antecipar essa decisão e amarrá-la a um diagnóstico específico: a necessidade de romper a barreira do Nordeste e dialogar com mulheres fora do núcleo bolsonarista tradicional.

Os próximos meses devem mostrar até que ponto o senador está disposto a seguir a receita. Se optar por um nome afinado com o agro ou com o empresariado, Flávio sinalizará que prioriza aliados clássicos e estruturas de campanha. Se escolher uma mulher nordestina, não evangélica, como defende Malafaia, tentará abrir uma frente nova, com risco de tensionar sua própria base.

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A definição da chapa, quando vier, funcionará como termômetro da influência real do pastor no desenho do projeto político da família Bolsonaro e como prévia da disputa pelo eleitorado decisivo em 2026. Com: NC News.

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