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Cristão que estava preso por se recusar a usar pronomes ‘trans’ é liberto
BREAKING: Enoch Burke speaks after release from prison today
Teacher Enoch Burke was released from prison this morning.
Judge Brian Cregan said he was releasing Enoch Burke from prison because the Disciplinary Appeal Panel (DAP) process, set up to hear Enoch Burke’s appeal of… pic.twitter.com/Klv86On3WD
— Enoch Burke (@EnochBurke) July 1, 2026
O Tribunal Superior de Dublin ordenou, nesta semana, a soltura do professor Enoch Burke, encerrando mais um episódio de uma longa batalha judicial que atraiu atenção internacional. O juiz Brian Cregan justificou a decisão com base no encerramento dos trabalhos do Painel de Recurso Disciplinar (DAP), instância que analisou o recurso do educador contra sua demissão.
Ao deixar a custódia, Burke questionou a idoneidade do processo disciplinar. O professor alegou que membros do painel mantinham vínculos com a Igreja da Irlanda – instituição à qual a Wilson’s Hospital School, seu antigo empregador, é ligada.
Para ele, essa relação comprometeria a imparcialidade do julgamento, configurando conflito de interesses e violando o princípio de que ninguém pode julgar uma causa em que a instituição à qual pertence tenha interesse direto. Burke classificou o procedimento como “farsa”, “fraude” e “escândalo”.
Quase 700 dias de detenção
Burke, que é evangélico e lecionava na Wilson’s Hospital School, no condado de Westmeath, permaneceu detido por aproximadamente dois anos. O conflito teve origem em sua recusa a utilizar pronomes de gênero alinhados à identidade declarada por alunos que optassem por se identificar com o sexo oposto – prática que ele considera contrária a suas convicções religiosas.
O afastamento ocorreu em agosto de 2022, quando a escola adotou uma política que exigia dos funcionários o uso dos pronomes escolhidos pelos estudantes. Burke rejeitou a orientação por motivos de consciência e, mesmo após ser suspenso, continuou a frequentar as instalações da unidade escolar, desrespeitando ordens judiciais que posteriormente lhe proibiram o acesso. Desde então, ele foi sucessivamente preso por desacato à corte.
Divisão de opiniões na Irlanda
O caso polarizou a opinião pública irlandesa. Defensores de Burke o veem como um defensor da liberdade religiosa e de consciência, punido por resistir ao que consideram uma imposição ideológica. Críticos, por outro lado, apontam que sua prisão não decorreu de suas crenças, mas de sua conduta reiterada e do descumprimento deliberado de decisões judiciais – posição que inclui vozes de dentro do próprio meio cristão.
Ao determinar a soltura, o juiz observou que o quadro jurídico havia se alterado substancialmente com a perda do recurso trabalhista por Burke, o que tornou a manutenção da prisão menos justificável. O tribunal, contudo, manteve duras críticas ao comportamento do professor ao longo de todo o litígio, ressaltando que sua libertação não implica aprovação de suas ações anteriores.
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