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Primeiro ministério do líder é o cuidado com a família, alerta Josué Gonçalves
As Escrituras estabelecem o cuidado com a família como um dos critérios fundamentais para o exercício da liderança espiritual. O apóstolo Paulo, em suas orientações, afirma que o líder deve governar bem sua própria casa, indicando que o ministério tem início no lar antes de se estender à comunidade de fé.
Com base nesse princípio, o pastor Josué Gonçalves – terapeuta familiar, fundador do SOS Casamento Curado e idealizador da Mentoria Pastor Discipulando Pastor (PDP) – alertou que o serviço ministerial não deve comprometer a saúde emocional da família.
Segundo ele, muitos líderes dedicam-se intensamente ao cuidado da igreja, mas descuidam do próprio ambiente doméstico. Uma das dificuldades mais frequentes enfrentadas por esposas de pastores, observa, é a sobrecarga emocional decorrente da ausência do marido – ainda que ele esteja fisicamente presente.
“Existe uma armadilha muito perigosa no ministério: o pastor cuida de todos, mas deixa de cuidar da própria família. Ele tem paciência para aconselhar, disposição para servir a igreja, mas chega em casa emocionalmente esgotado”, assinalou.
Esposa torna-se a última da fila
Josué observa que, nesse cenário, a esposa acaba assumindo sozinha responsabilidades que deveriam ser compartilhadas. “Quem deveria ser a pessoa mais cuidada pelo pastor, muitas vezes se torna a última da fila. Isso não é fruto da vocação; é consequência de um desequilíbrio”, ressaltou.
O terapeuta fundamenta sua orientação em 1 Timóteo 3, onde Paulo estabelece que o líder cristão deve administrar bem sua própria casa antes de exercer autoridade espiritual sobre a igreja. “O lar não é um ministério secundário. Ele é o primeiro campo onde o pastor demonstra sua maturidade espiritual. Quando a família está abandonada, existe um problema que precisa ser tratado”, explicou.
Diálogo e ajuda externa
Ao aconselhar esposas que vivenciam essa realidade, Josué recomenda uma conversa franca, porém respeitosa, com o marido. “Diga com sinceridade: ‘Eu amo você e desejo que seu ministério seja frutífero, mas estou cansada e preciso da sua presença. Precisamos encontrar equilíbrio’. Falar com amor produz muito mais resultados do que acusar”, orientou.
Caso o diálogo não seja suficiente, o pastor incentiva o casal a buscar apoio externo. “Às vezes, o pastor também precisa ser pastoreado. Buscar um mentor ou um conselheiro não é sinal de fraqueza, mas de sabedoria”, destacou.
Identidade da esposa
Por fim, Josué Gonçalves lembrou que a identidade da esposa vai além da função ministerial exercida pelo marido. “Ela não é esposa do ministério; ela é esposa do pastor. Essa diferença parece simples, mas faz toda a diferença para a saúde do casamento”, concluiu. Com: Comunhão.
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