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Egito: cristãos têm casas e lavouras incendiadas após boatos

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Egito: cristãos têm casas e plantações incendiadas após boatos
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Um novo episódio de violência sectária anticristã foi registrado na vila de Nazlat Jalf, província de Minya, no Alto Egito, após rumores de um suposto relacionamento entre um jovem cristão e uma moça muçulmana se espalharem nas redes sociais. O caso desencadeou ataques contra propriedades cristãs, refletindo tensões religiosas recorrentes na região.

De acordo com relatos locais, uma multidão de muçulmanos se reuniu e passou a atacar casas e plantações cristãs com pedras e objetos incendiários. Embora não haja registro de mortos ou feridos, diversas residências e lavouras foram danificadas, e cristãos da comunidade relataram ameaças online após os incidentes.

Intervenção policial

A polícia interveio e prendeu alguns dos agressores. Fontes locais informaram à organização Solidariedade Cristã Mundial (CSW) que as autoridades convocaram uma sessão de reconciliação entre os grupos. Segundo a CSW, esse tipo de mediação é prática comum no Alto Egito, mas costuma substituir processos judiciais formais, resultando em punições brandas.

A entidade classificou essas sessões como “mecanismos extralegais que impõem condições insatisfatórias e muitas vezes inconstitucionais às vítimas”, afirmando que os responsáveis pela violência raramente enfrentam consequências proporcionais.

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Preocupação internacional

Nos últimos meses, cresceram as preocupações sobre restrições à liberdade religiosa no Egito, país cuja Constituição garante, ao menos formalmente, o direito de culto. Observadores estrangeiros, como Lizzie Francis Brink, consultora jurídica da ADF International, destacam que a perseguição anticristã costuma partir da população majoritária muçulmana, e não diretamente do Estado.

Comentando sobre o episódio, o diretor-executivo da CSW, Scot Bower, afirmou que os ataques sectários “não são apenas agressões contra pessoas inocentes, mas também violações dos direitos fundamentais e da dignidade humana”.

Bower elogiou a resposta inicial da polícia, mas defendeu medidas mais firmes. “Para que a violência em Nazlat Jalf seja efetivamente combatida, é necessário reprimir o discurso de ódio, a incitação ao sectarismo e a cultura de punição coletiva. Todos os cidadãos devem ser tratados de forma igualitária, e os culpados precisam ser responsabilizados perante a lei, independentemente de sua religião ou crença”, declarou.

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