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Gazeta do Povo classifica apreensão do passaporte de Flávio como “vingança pura”

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Em editorial divulgado nesta segunda-feira, 26, a Gazeta do Povo descreve a apreensão do passaporte do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como “vingança pura dos vencedores contra os derrotados”. A determinação partiu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), um dia após a derrota de Flávio no segundo turno da disputa presidencial.

Na avaliação do jornal, a medida consubstancia uma ameaça proferida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao adversário ao longo da campanha e não se sustenta em indícios de risco de fuga. O texto censura ainda parte da sociedade que, segundo a Gazeta, passou a encarar como normal a perseguição a um dos lados do espetro político.

A Polícia Federal (PF) executou a ordem na tarde de segunda-feira. Flávio foi igualmente informado de que está impedido de sair do país. O senador conserva a imunidade parlamentar, uma vez que o seu mandato ainda não terminou.

O editorial recupera a declaração de Lula, reeleito no domingo 25, no último debate antes do segundo turno. “Você se prepare, que dia 25 você vai perder imunidade”, disse o petista a Flávio. Lula mencionou também os inquéritos contra o adversário e afirmou: “Se os seus amigos não estão deixando andar, agora vai andar”.

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Flávio é alvo de três inquéritos no STF. O primeiro, sob relatoria do ministro André Mendonça, investiga o aporte de dinheiro do Banco Master, de Daniel Vorcaro, na produção do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo a Gazeta, Mendonça, indicado à Corte por Jair Bolsonaro, seria um dos “amigos” referidos por Lula no debate. Moraes é relator dos outros dois inquéritos. Um apura suposta calúnia contra Lula. O outro investiga alegada lavagem de dinheiro e envolve o advogado Willer Tomaz, também investigado no caso dos descontos indevidos em benefícios de aposentados do INSS.

A apreensão do passaporte ocorreu no âmbito deste último inquérito. O pedido partiu de três deputados federais governistas: Duda Salabert (Psol-MG), Otoni de Paula (PSD-RJ) e Rogério Correia (PT-MG).

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O jornal reconhece que o artigo 320 do Código de Processo Penal prevê a apreensão de passaporte como medida cautelar contra investigados, denunciados e réus. Salienta, contudo, que uma restrição ao direito de ir e vir exige razões muito fundadas.

De acordo com o editorial, o único elemento disponível é uma declaração do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, que vive nos Estados Unidos desde março de 2025. Em entrevista ao comentarista político Steven Crowder, na sexta-feira 23, o ex-parlamentar defendeu a saída de Flávio do país em caso de derrota.

“Eu assumo que, se meu irmão não vencer, sou a favor de que ele deixe o país”, disse Eduardo.

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Para a Gazeta, a fala de um terceiro, ainda que parente, não basta para configurar risco de fuga. O jornal rejeita também como argumento a saída de Jair Bolsonaro do Brasil no fim de 2022, quando perdeu a eleição para Lula.

O texto questiona se a PF encontrou conversas do senador sobre uma possível fuga ou identificou a compra de alguma passagem aérea. “Até onde se sabe, não existe nada nesse sentido”, afirma o editorial. Sem um elemento real, conclui o jornal, a medida é um ato de vingança com a colaboração de um magistrado moralmente comprometido.

O editorial recorda decisões anteriores de Moraes com a mesma justificativa. Em junho de 2024, o ministro mandou de volta à prisão 208 réus ou condenados pelos atos do 8 de janeiro por “receio de fuga”. Moraes não comprovou o risco em nenhum dos casos.

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Em dezembro de 2025, o ministro do STF determinou a prisão domiciliar de dez condenados no processo sobre a alegada trama golpista, entre eles o ex-assessor presidencial Filipe Martins e sete integrantes ou ex-integrantes das Forças Armadas.

Na ótica do jornal, eles pagaram pela tentativa de fuga de Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal capturado no Paraguai, e pela saída do ex-deputado Alexandre Ramagem para os Estados Unidos.

“Letargia”: sociedade normaliza perseguição política, diz Gazeta

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A parte final do editorial debruça-se sobre a forma como a medida contra Flávio Bolsonaro foi recebida. Para a Gazeta, o facto de a apreensão ser noticiada quase como desdobramento natural da derrota do senador “deveria nos assustar”.

“Boa parte da sociedade e da opinião pública normalizou a tal ponto a perseguição a determinado lado do espetro político-ideológico que se tornou cega para o que é, claramente, um ato de vingança de um governo que quase se viu destronado, em parceria com um ministro do STF cujo impeachment foi defendido por quem agora se torna alvo da medida abusiva”, afirma a Gazeta do Povo.

“O país precisa acordar urgentemente dessa letargia”, sustenta o editorial. A Gazeta defende que o arbítrio continua a ser arbítrio quando atinge adversários ou pessoas por quem se nutre antipatia.

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O texto encerra com uma crítica a quem diz apoiar Lula e Moraes com a justificativa de proteção da democracia. Para o jornal, essas pessoas “ou não sabem quem são Lula e Moraes, ou não sabem o que é democracia”. Com: Oeste.

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