igreja perseguida
Cuba: Portas Abertas relata medo diante de ‘estado de guerra’
Autoridades cubanas declararam, na última semana, que o país se encontra em “estado de guerra”, segundo informações divulgadas pela mídia estatal. A decisão foi aprovada durante uma reunião do Conselho de Defesa Nacional, órgão responsável por assumir o controle do país em situações de emergência, como desastres naturais ou conflitos armados.
De acordo com os veículos oficiais, a medida está fundamentada no conceito de “Guerra de Todo o Povo”, uma doutrina que prevê a mobilização ampla da população para responder de forma organizada a uma eventual agressão externa. A estratégia envolve civis, estruturas locais e forças estatais, ampliando o nível de alerta em todo o território nacional.
O anúncio ocorre em meio a uma crise prolongada que afeta a população cubana. Escassez de alimentos, medicamentos, água potável e insumos básicos, além de apagões frequentes e limitações no acesso à saúde, já vinham pressionando o cotidiano dos cidadãos. Com a nova diretriz, o clima de insegurança se intensificou, especialmente entre jovens que cumprem o serviço militar obrigatório.
Segundo relatos recolhidos por colaboradores da Portas Abertas na América Latina, comunidades cristãs também sentem os efeitos diretos desse cenário. Integrantes da organização estiveram recentemente no país para avaliar a situação das igrejas locais e relataram uma realidade marcada por pobreza estrutural, vigilância constante e forte desgaste emocional entre líderes e fiéis.
“Conversamos com cerca de dez pastores e líderes cristãos. Os testemunhos revelam uma fé perseverante, mas também uma situação extremamente difícil”, afirmaram representantes da entidade. De acordo com eles, a combinação entre crise econômica, controle estatal e tensão militar torna a vida dos cristãos ainda mais vulnerável.
Um dos líderes ouvidos, identificado como pastor Luis — nome fictício adotado por razões de segurança — descreveu o impacto da medida sobre os jovens. Segundo ele, muitos estão com medo e inseguros diante da possibilidade de conflito. “Ninguém está preparado para uma guerra. Ainda assim, eles são obrigados a servir e, segundo as autoridades, a defender a revolução”, relatou.
O pastor acrescentou que esses jovens permanecem confinados em condições precárias, sem recursos adequados, o que agrava o sentimento de apreensão. Para líderes cristãos, o contexto amplia desafios já enfrentados pelas igrejas, como restrições à atuação religiosa e limitações à liberdade de expressão.
Cuba ocupa atualmente a 24ª posição entre os 50 países onde cristãos enfrentam maior nível de perseguição, de acordo com a Lista Mundial da Perseguição 2026. É também considerado o país mais hostil aos cristãos na América Latina. Organizações de apoio internacional alertam que o agravamento da crise política e social tende a ampliar ainda mais a pressão sobre comunidades religiosas no país.
-
capa10 horas atrásMalafaia rebate críticas de Lula à Lagoinha: “Me chamou para a briga”
-
capa11 horas atrásMinistros do STF veem preparação de cenário para contestação de vitória de Flávio
-
capa8 horas atrásCrianças cristãs podem comer doces de Cosme e Damião? Pastores respondem
-
capa7 horas atrásTéo Hayashi defende a participação de cristãos na política: “Todo mundo tem CPF”
-
capa7 horas atrásDia Nacional da Pessoa Idosa: como a Igreja cuida de quem envelheceu na fé?
-
capa7 horas atrásGeração Z se declara mais religiosa que gerações anteriores, mas com ressalvas