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Refém israelense é filmado cavando cova em túnel do Hamas
O grupo Hamas divulgou um novo vídeo de cinco minutos que mostra o refém israelense Evyatar David, de 24 anos, em um túnel subterrâneo em Gaza, visivelmente desnutrido e sem camisa, riscando dias em um calendário improvisado e recebendo uma lata de feijão como ração para dois dias. No vídeo, ele afirma: “Acho que este é o túmulo em que serei enterrado. O tempo está se esgotando”.
David foi sequestrado no dia 07 de outubro de 2023, durante o Festival de Música Nova no sul de Israel, e tinha 22 anos à época. O vídeo divulgado na sexta-feira, 02 de agosto, foi liberado para publicação pela família. Ele o mostra cavando o que descreve como sua própria cova, afirmando não comer há dias e quase não beber água.
A família de David declarou publicamente: “Fomos forçados a testemunhar nosso amado filho e irmão, Evyatar David, deliberada e cinicamente morto de fome nos túneis do Hamas em Gaza — um esqueleto vivo, enterrado vivo”, conforme relatado pela BBC.
A filmagem termina com uma tela preta contendo a frase: “Eles comem o que nós comemos. Eles bebem o que nós bebemos”. Ao longo do vídeo, são intercaladas imagens de David com cenas de crianças palestinas famintas, além de trechos de discursos de líderes israelenses como Benjamin Netanyahu e Itamar Ben-Gvir pedindo a interrupção da ajuda humanitária à Faixa de Gaza, conforme informado pelo The Jerusalem Post.
A divulgação gerou comoção internacional e ampliou os apelos por ações imediatas. Em Tel Aviv, milhares de manifestantes tomaram as ruas no sábado, exigindo a libertação dos reféns. Cartazes com fotos de desaparecidos foram erguidos, enquanto Ilay David, irmão de Evyatar, apelou diretamente ao presidente dos EUA: “Donald Trump, pedimos que intervenha por todos os meios necessários para garantir a libertação deles. Permanecer em silêncio agora é ser cúmplice de sua morte lenta e agonizante”.
No mesmo dia, o premiê Benjamin Netanyahu conversou com familiares de Evyatar David e de Rom Braslavski, outro refém cuja imagem apareceu em vídeo na véspera. A gravação divulgada na quinta-feira, 01 de agosto, pela Jihad Islâmica Palestina, também mostra Braslavski em estado de saúde frágil e visivelmente abalado.
De acordo com as autoridades israelenses, 49 reféns permanecem em poder do Hamas e de grupos aliados em Gaza, dos quais 27 estariam mortos. Esta é a segunda gravação em 24 horas mostrando reféns em situação extrema. A última aparição de David havia ocorrido em fevereiro, quando foi filmado ao lado de Guy Gilboa-Dalal dentro de uma van, pedindo libertação, enquanto outros reféns eram soltos.
O enviado especial dos Estados Unidos para a crise dos reféns, Steve Witkoff, reuniu-se com várias famílias no fim de semana. Segundo ele, “a situação é complicada”, embora tenha mencionado que um possível acordo estaria próximo. Witkoff enfatizou que os EUA não aceitarão “acordo parcial, apenas um acordo completo”. Não foram fornecidos detalhes adicionais.
Diversos ex-reféns e familiares têm denunciado as condições de detenção nos túneis. Yaelah David, irmã de Evyatar, afirmou: “Depois de uma noite chorando por meu irmão, que se tornou um esqueleto ambulante no cruel calabouço de Gaza, entendi que o mundo inteiro precisa ver isso”. Ela responsabilizou o Hamas por obstruir o envio de ajuda tanto a civis quanto a reféns, utilizando a fome como ferramenta de propaganda.
Omer Wenkert, ex-refém que permaneceu 250 dias preso com David, relatou que os túneis “eram prisões subterrâneas vazias”. Ele ainda questionou: “Existe ao menos uma imagem de um terrorista do Hamas em situação parecida com a de Evyatar?”.
Tal Shoham, que dividiu o cativeiro com David e Gilboa-Dalal, acrescentou que os sequestradores utilizavam a gravação constante dos reféns como forma de pressão psicológica. “Eles nos filmavam o tempo todo. Pelo que entendi, havia um dispositivo explosivo junto à câmera, voltado para nós — para destruir tudo se houvesse tentativa de resgate pelas Forças de Defesa de Israel”, afirmou.
A mãe de David, cuja identidade não foi divulgada, descreveu o filho como “gentil, perspicaz, apaixonado por música, violão e piano”, em entrevista à mídia israelense.
Até ontem, o Hamas se recusava a libertar novos reféns, segundo as autoridades israelenses. O grupo passou a exigir que Jerusalém fosse entregue como capital de um futuro Estado palestino — uma exigência classificada por analistas internacionais como inaceitável para o governo de Israel, inclusive nas rodadas anteriores de negociação.
As famílias continuam a clamar pela libertação dos reféns, enquanto as tratativas diplomáticas permanecem sem resolução clara.
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