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Há 60 anos à frente da mesma igreja, pastor revela segredos da liderança
No dia 31 de agosto, a Igreja Batista Fairy, no Texas, celebrará os 60 anos de ministério do pastor Bob Ray, que aos 84 anos continua exercendo a função pastoral na mesma congregação onde iniciou sua trajetória em 1965. Natural de Lawrence, Kansas, Ray atendeu ao chamado para o ministério ainda jovem, influenciado decisivamente por sua esposa, Rosalind, falecida no ano passado em decorrência de um câncer no pâncreas.
“Rosalind era uma companheira absolutamente maravilhosa que se sentiu chamada para ser esposa de pastor”, declarou Ray. “Ela se rendeu ao chamado antes de mim e costumava ficar um pouco irritada comigo porque eu ainda não tinha percebido”.
O casal anunciou publicamente sua decisão de seguir o chamado de Deus quando Bob tinha 24 anos, diante da Primeira Igreja Batista do Sul de Lawrence. Em seguida, mudaram-se para Fort Worth, onde ele ingressou no Seminário Teológico Batista do Sudoeste. Durante o período de estudos, trabalhou como gerente de controle de produção em uma fábrica local. Colegas seminaristas o ajudaram a encontrar oportunidades de pregação, inclusive indicando-o a uma pequena congregação sem pastor, localizada a cerca de 145 quilômetros dali.
Bob Ray conta que, naquela época, “eles não estavam procurando muito e não conseguiram muito”. Mas seis décadas depois, a própria igreja testemunha o oposto.
Um ministério sem intenção de longa permanência
Ray afirma que nunca planejou ficar tanto tempo no mesmo ministério, tampouco imaginava que seria um pastor bivocacional, termo que nem sequer conhecia no início da sua jornada. “As pessoas falavam sobre pastores de meio período, mas o termo ‘bivocacionado’ só foi cunhado depois que comecei e as pessoas começaram a perceber que não existe ‘ministério de meio período’”.
Apesar de receber convites ao longo dos anos para pastorear outras igrejas, ele e Rosalind sempre buscaram direção em oração. Nenhuma proposta os moveu. “Experimentamos uma profunda paz e contentamento com o chamado para criar raízes na comunidade das Fadas”, disse.
Durante boa parte da sua vida, conciliou o ministério com o trabalho secular. Entre 2001 e 2007, atuou na Convenção Geral Batista do Texas (BGCT) como Diretor do Departamento de Igrejas Bivocacionais e Pequenas. Nessa função, pôde apoiar outros líderes que viviam a mesma realidade.
“Trabalhei com pessoas que precisavam muito de Jesus. Tive a oportunidade de ministrar muito no meu trabalho secular”, afirmou.
Desafios e bênçãos de uma vida dupla
Ray reconhece os desafios de manter duas ocupações, especialmente no que diz respeito à gestão do tempo e à atenção à família. Segundo ele, a esposa foi fundamental para garantir equilíbrio entre as responsabilidades ministeriais e familiares.
“O Senhor me abençoou com Rosalind. Eu não poderia ter tido uma companheira melhor. Nossos três filhos são salvos; todos os nossos netos conhecem o Senhor; e os bisnetos, com idade suficiente para entender o Evangelho, confiaram em Jesus”, relatou.
Mesmo com as transformações da comunidade ao longo das décadas, o pastor e a igreja buscaram novas formas de evangelização. Para alcançar os que se tornaram mais isolados, adotaram estratégias como mala direta, mídias sociais, transmissões ao vivo e presença ativa na comunidade.
Conselhos aos pastores e vocacionados
Com seis décadas de experiência, Ray compartilha dois conselhos com outros pastores. O primeiro é sobre contentamento e fidelidade no chamado: “Pastores bivocacionais não devem acreditar que precisam conseguir um cargo com financiamento integral para se sentirem realizados no ministério. Alegrai-vos onde o Senhor vos colocou até que Ele vos transfira para outro lugar”.
O segundo se refere ao relacionamento pastoral: “Os pastores devem aprender sobre o seu povo passando tempo com ele. Os pastores devem amar o seu povo. Somente depois de amarem e aprenderem sobre o seu povo, os pastores serão capazes de liderá-lo”.
Ele conclui com um princípio aprendido ao longo dos anos: “Se você está sempre procurando a próxima igreja, nunca vai se apaixonar pelo seu povo. Rosalind e eu simplesmente nos apaixonamos pelo nosso povo. Se você os ama, eles vão deixar você liderar”.
Mesmo após seis décadas de ministério, Bob Ray afirma que não pensa em se aposentar: “Gosto de pregar, mas amo ser pastor”, declarou.
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