estudos bíblicos
A instituição da monarquia em Israel
Subsídio para a Escola Bíblica Dominical da Lição 5 do trimestre sobre “O Governo Divino em Mãos Humanas – Liderança do Povo de Deus em 1º e 2º Samuel”.
II. A escolha de Saul como rei
1. Por que Saul?
A Bíblia não responde diretamente a esta pergunta, dando-nos o porquê de Saul, e não outro, ter sido escolhido para o posto de primeiro rei de Israel. O fato é que Saul não foi eleito para o cargo através de votação popular, nem mesmo o povo sugeriu o nome dele para o estabelecimento da monarquia. Deus mesmo é que deu Saul como rei ao povo!
Para que não paire dúvidas, eis o que diz a Escritura:
“Amanhã a estas horas te enviarei um homem da terra de Benjamim, o qual ungirás por capitão sobre o meu povo de Israel, e ele livrará o meu povo da mão dos filisteus; porque tenho olhado para o meu povo; porque o seu clamor chegou a mim. E quando Samuel viu a Saul, o Senhor lhe respondeu: Eis aqui o homem de quem eu te falei. Este dominará sobre o meu povo” (1Sm 9.16,17).
Porém, a partir do décimo capítulo de 1Samuel, quando Saul se torna rei, até o último capítulo deste livro, que finda com a morte de Saul na guerra com os filisteus, vemos uma sucessão de erros morais e espirituais na vida de Saul que acarretam devastação sobre Israel e demonstram, a despeito de suas primeiras grandes vitórias sobre os inimigos do povo do Senhor, que não era de um rei habilidoso na guerra que o povo precisava, pois é Deus, a quem o povo havia rejeitado, quem garante vitória aos seus!
Talvez propositalmente o Senhor tenha dado Saul, habilidoso na guerra, para ser rei segundo as intenções do povo, para que o povo percebesse, ainda que tarde demais, a tragédia de sua atitude precipitada. Neste sentido somente é que Saul é o rei que o povo “elegeu” e “pediu” (1Sm 12.13), não porque o nome de Saul fora sugerido pelo povo para o reino, mas porque Deus o deu conforme o clamor popular por um rei habilidoso na guerra.
2. A unção de Saul por Samuel
Conforme 1Samuel 10.1, o profeta, sacerdote e juiz Samuel ungiu Saul com azeite, num encontro privado que depois veio a ser confirmado publicamente. Assim como o primeiro sacerdote de Israel fora também ungido, agora o primeiro monarca recebe semelhante unção.
O Novo Comentário Bíblico traz anotações interessantes sobre o modo e o valor da unção no Antigo Testamento:
Havia dois tipos de unção no período bíblico. Uma cerimônia de unção envolvia derramar óleo sobre a cabeça ou o corpo da pessoa a ser honrada (Sl 133.2). Uma unção oficial usava o mesmo processo, mas significava uma consagração ou separação para os serviços religiosos (Êx 29.7; 30.25; Lv 8.12). a unção de um líder era, na verdade, um ato religioso. Por isso, Davi tinha tamanha consideração a respeito por Saul, recusando-se a levantar a mão contra o ungido do Senhor (1Sm 24.6). [2]
3. Os sinais da confirmação da unção
Três sinais são dados por Samuel a Saul como confirmação de sua unção para o reino de Israel: o encontro com as jumentas perdidas de seu pai, o encontro com varões que lhe presenteariam com alimentos e, por último, sua elocução profética quando adentrasse ao rancho de profetas (1Sm 10.2-7).
Payne explica o significado destes três sinais:
O primeiro sinal tinha o propósito de assegurar a Saul que ele podia pôr o passado para trás; o seu papel futuro não era o de trabalhar no campo. O segundo sinal era para assegurar-lhe de que os israelitas o reconheceriam como rei. Os três bolos de pão eram parte das ofertas que estavam sendo levadas ao altar de Betel, de modo que os homens não os dariam casualmente a qualquer estranho que passasse por eles, mas só a alguém de posição bem elevada. O terceiro sinal iria assegurar-lhe de que ele possuía os dons e as habilidades necessárias para a tarefa de liderança. Os “juízes” que existiram antes dele tinham sido todos bem-equipados para a liderança mediante a dádiva do Espírito do Senhor, e Saul iria reconhecer que ele estava sendo equipado de maneira igual. [3]
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