opinião
Lista de Janot e delações da Odebrecht são o início, não o fim do mundo
Estamos em uma encruzilhada: ao mesmo tempo que as instituições avançam, ainda sobrevive uma classe política sob a velha roupagem, que usa o poder público em seu próprio benefício
Enfim, chegou ao Supremo Tribunal Federal a “Segunda Lista de Janot”, a documentação em que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pede autorização à Justiça para iniciar 83 novas investigações que envolvem políticos – ministros de Estado, deputados federais, senadores…
A base da lista são confissões de 78 executivos e ex-executivos do grupo Odebrecht de ilegalidades que praticaram ou de que tomaram conhecimento ao longo de sua carreira na empresa. As tais confissões foram batizadas de “delação do fim do mundo”, porque revelariam tantos crimes e envolveriam tantos políticos e autoridades, que o país entraria em um caos completo. E o que já veio a público, sobre o que os delatores contaram, atiçou ainda mais a ansiedade sobre o que está por vir.
O que vemos hoje, e com alegria? A lista chegou ao seu destino. E o mundo, acabou? Vivemos o prenúncio do FIM? Para os homens de bem, é vida que segue: acordar, pegar o ônibus lotado para ir trabalhar, ganhar o pão de cada dia para sustentar a família. Dentre esses homens, os cristãos seguem com a tranquilidade de saber que nossa vida é cíclica, que para tudo há um tempo certo e que o Senhor comanda o tempo.
Esta no Livro de Eclesiastes: há tempo para juntar as pedras e tempo para espalhar essas pedras. O Brasil passa um momento de espalhar pedras. Estamos em uma encruzilhada, porque, ao mesmo tempo em que as instituições avançam, por exemplo aí com a Lava Jato trazendo a público esquemas de desvio de dinheiro público entranhados na estrutura do Estado, ao mesmo tempo em que caminhamos para construir uma nova cultura política para a sociedade brasileira, limpa, transparente, em benefício do cidadão, ainda sobrevive uma classe política com aquela velha roupagem, de usar o poder público em benefício de interesses pessoais.
O Brasil é um país de 500 anos, com imensa concentração da renda e das oportunidades para o desenvolvimento de seus filhos. Essa é a nação que chega ao século XXI, correndo atrás de um novo modelo de sociedade, para ser tornar um país civilizado e moderno, mais justo, que ofereça ao seu povo condições para conquistar o pouco de tudo que necessita para viver de forma digna, em plenitude.
Trabalhamos e oramos para que o Brasil encontre esse caminho o mais rápido possível. Precisamos nos preparar, porque estamos no começo. A estrada é longa e tortuosa. Na sabedoria de Mateus 24:7-8: “ (…) Ouvireis de guerras e rumores de guerras, mas cuidado para não vos alarmardes. Tais coisas devem acontecer, mas ainda não é o fim”.
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