opinião
A ditadura do contrário
“Não tem nada disso não. E nem dizemos que sim ou que não, muito pelo contrário!….”.
Não aguento mais a ditadura do contrário. Entramos numa nova e perigosa fase de equívocos monstruosos, horrendos, que bem poderia ter vários nomes. Preferi chamar-lhe de “ditadura dos contrários”. Tudo parece estar ao contrário.
“Cavalheirismo” é machismo e isso é “mal” porque é “tradicional”. Todo mundo sabe que “skank” é o nome de uma maconha mais forte, quimicamente modificada, mas é um “horror” afirmar que, se uma banda qualquer, que por mera coincidência se chame “Skank” e fizer muito sucesso, e se disser que seu nome é apologizador do uso de drogas, então é “absurdo”.
Como é absurdo alguém que, lendo estas linhas e que nunca tenha pensado sobre isso, conclua agora outra coisa senão isso: que “é um absurdo dizer que a banda Skank seja uma referência apologista ao skank”. Isto é o que deve ser pensado numa era que se vangloria de que não se deve nada. O contrário disto, que seria o mínimo lúcido, tornou-se algo proscrito, banido do senso comum pelo intelectualismo reinante.
Educado é visto como formal preconceituoso. Rigidez discipular é “nazismo”. Preguiça é livre-arbítrio. Inconformismo é ser, no máximo, um reclamão de filas de espera, pois o que passar disso ao invés de ajudar, “incomoda”. Qualquer eloquência tornou-se sinal de prepotência e não mais um exemplo de inspiração ao desenvolvimento pessoal e coletivo…. ao contrário: humano e humilde é gabar-se “de está falano seim si importá com critícas, pos concerteza quem critica é orgulhozo e naum se emporta com ningueim”.
O púdico é podre e o podre é norma. As cadeias da prostituição e do vício há décadas vêm sendo pintadas com as letras da palavra “LIVRE”. Se uma mulher se incomoda de um homem estar olhando para suas partes íntimas, ela está em seu pleno direito (o que concordo). Mas se um homem se incomoda de outro homem estar olhando para si, é “homofobia”. Os marxistas culturais são os que mais postam suas ideias e a glória da utopia revisitada do marxismo através de seus iPhones e iPads, com suas chinelas ecologicamente corretas de 150 a 350 Reais; com as quais vão dar aula à massa de novos e empolgados universitários (federais), cujo maior sonho estudantil é a nobre missão de, encapuçados, invadirem e quebrarem o gabinete do reitor.
Lincoln disse certa vez que “não se pode fugir dos tempos”. Com isso ele usou a palavra “tempo” figuradamente, significando “mudança”. Temo que estas mudanças, pelas quais estamos passando em ritmo aceleradíssimo, coincidam com a espiral de decadência pela qual passaram todas as grandes civilizações, conforme teorizou o filósofo e historiador Oswald Spengler na coletânea de artigos e palestras reunidos no livro: ” A Decadência do Ocidente”, cujos escritos datam do início do século XX, e que, segundo ele, já estávamos passando desde sua época.
Uma coisa é certa: seus principais críticos e dilapidadores da objetividade, que aliás está fora de moda, reverberarão: “Não tem nada disso não. E nem dizemos que sim ou que não, muito pelo contrário!….”.
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