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A importância da prestação de contas para a saúde da igreja
O crescimento das igrejas e o aumento das demandas sociais têm ampliado a necessidade de governança transparente nas congregações. Fiéis buscam compreender a destinação de dízimos e ofertas, enquanto líderes enfrentam a responsabilidade de tomar decisões com base em informações claras. Ao mesmo tempo, a sociedade acompanha a atuação das igrejas diante de questões éticas e legais.
O pastor Ozeas Corrêa, líder da Igreja Rest, em Niterói, afirmou que prestar contas significa dar transparência ao uso dos recursos confiados à liderança espiritual. “É apresentar relatórios acessíveis, justificar as decisões estratégicas e manter canais abertos de diálogo com a comunidade”, declarou.
Ele destacou que o princípio encontra base nas Escrituras. Ao citar 2 Coríntios 8:20-21, afirmou que a administração dos recursos deve ser feita com integridade, “não apenas diante do Senhor, mas também diante dos homens”. Segundo ele, a prestação de contas não é apenas uma prática administrativa, mas expressão de mordomia fiel e temor a Deus.
Corrêa apontou três dimensões no processo: legal, ética e bíblica. A dimensão legal envolve o cumprimento de estatutos e normas; a ética fortalece a confiança e protege a liderança; e a bíblica orienta a responsabilidade espiritual. Ele mencionou a Parábola dos Talentos (Mateus 25:14-30) como referência sobre responsabilidade na administração dos recursos.
O pastor afirmou que a transparência contribui para o fortalecimento da confiança na comunidade. “As pessoas passam a contribuir com mais consciência e a se sentir parte do propósito”, disse. Ele também destacou que a clareza na gestão reduz conflitos, evita escândalos e fortalece a saúde institucional da igreja.
Por outro lado, a ausência de transparência pode gerar desconfiança. “Sem clareza, inevitavelmente surgem perguntas — com ou sem fundamento”, afirmou. Ele citou 1 Timóteo 3:2, ressaltando que a liderança deve ser irrepreensível, pois a credibilidade da igreja impacta sua mensagem diante da sociedade.
Para estabelecer uma cultura de confiança, Corrêa recomendou práticas como relatórios periódicos acessíveis, conselhos administrativos representativos, auditorias externas e reuniões abertas com apresentação de resultados. Ele também sugeriu a disponibilização de versões resumidas dos relatórios em plataformas digitais. “É essencial comunicar com clareza, objetividade e linguagem pastoral”, afirmou.
Segundo ele, a comunicação deve evitar termos técnicos e utilizar recursos simples, como gráficos e categorias de despesas. “Não basta informar o que foi feito: é necessário explicar o porquê de cada decisão”, declarou.
O pastor também orientou que a liderança mantenha postura de gratidão e esteja aberta ao diálogo. “A unidade é possível quando há verdade e respeito mútuo”, afirmou, ao citar Provérbios 15:22.
Ele reconheceu que, em alguns contextos, a prestação de contas ainda é vista como ameaça à autoridade espiritual. “Mas uma liderança madura não teme transparência. Ela a valoriza”, disse. Corrêa acrescentou que o ambiente digital amplia essa necessidade, sugerindo o uso de relatórios online, transmissões ao vivo e canais digitais para dúvidas.
Na mesma linha, o pastor Kennedy Sobrinho, da Assembleia de Deus – Ministério de Madureira, em Caldas Novas, afirmou que a prestação de contas é um direito dos membros. “As igrejas mais tradicionais possuem conselhos que prestam contas mensalmente aos congregados”, declarou.
Kennedy destacou que, embora nem sempre seja vista como exigência legal, a transparência é essencial para a confiança. Ele afirmou que, em casos de má gestão, o fiel deve avaliar sua permanência na igreja. “Há igrejas sérias que honram a confiança do povo”, disse.
O pastor também ressaltou na entrevista à Comunhão que o princípio está presente na Bíblia, ao citar a orientação de que “tudo seja feito com ordem e decência”. Segundo ele, a administração dos recursos exige responsabilidade e organização.
Para Kennedy, a ausência de prestação de contas compromete a integridade da liderança e pode levar ao afastamento de membros. Ele defendeu que a prática seja contínua, por meio de reuniões, comunicados e canais digitais, como forma de fortalecer a relação entre liderança e igreja e promover um crescimento saudável na fé.
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