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Monogamia para pastores gera racha na Presbiteriana nos EUA

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Monogamia para pastores gera racha na Presbiteriana nos EUA
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Uma proposta apresentada ao próximo encontro da Assembleia Geral da Igreja Presbiteriana (EUA), conhecida pela sigla PCUSA, gerou oposição de três comitês da própria denominação por estabelecer a monogamia como requisito para membros do clero que mantenham relacionamentos de natureza sexual.

O texto foi encaminhado pelo Presbitério de Sierra Blanca, no estado do Novo México, e será analisado durante a Assembleia Geral da denominação, marcada para este mês em Milwaukee, Wisconsin. A proposta altera o Livro de Ordem da igreja para exigir que ministros ordenados que mantenham relacionamentos sexuais estejam vivendo em uniões monogâmicas.

De acordo com o parecer que acompanha a medida, a proposta recebeu críticas do Comitê de Defesa dos Direitos das Mulheres e da Justiça de Gênero, do Comitê de Defesa da Equidade LGBTQIA+ e do Comitê Consultivo de Políticas de Testemunho Social.

O Comitê de Defesa dos Direitos das Mulheres e da Justiça de Gênero afirmou que não apoia a proposta por considerar que ela ultrapassa o papel da igreja ao tentar regular a vida privada e os relacionamentos dos indivíduos. O grupo declarou que a função da igreja é promover comunidades marcadas pela justiça, responsabilidade e amor, e não impor uniformidade na esfera pessoal.

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Segundo o comitê, políticas que buscam definir ou restringir estruturas relacionais podem gerar efeitos negativos, especialmente sobre pessoas que enfrentam situações de vulnerabilidade ou identidades consideradas marginalizadas.

Já o Comitê de Defesa da Equidade LGBTQIA+ argumentou que a proposta utiliza conceitos imprecisos e confunde poliamor com poligamia. O grupo também citou pesquisas que apontam satisfação entre pessoas que vivem relacionamentos poliamorosos e afirmou que a medida promove uma visão limitada das estruturas familiares e relacionais.

O Comitê Consultivo de Políticas de Testemunho Social também recomendou a rejeição da proposta. Em vez disso, sugeriu o desenvolvimento de um documento teológico e de um guia de estudos voltados aos temas da sexualidade humana e identidade de gênero, além da criação de orientações para o uso de linguagem inclusiva e não binária.

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A organização More Light Presbyterians, que reúne centenas de igrejas da denominação, também se posicionou contra a medida. Em comunicado divulgado recentemente, o grupo afirmou que a proposta representa um retrocesso e levanta preocupações teológicas, pastorais e relacionadas à justiça. A entidade declarou ainda que o chamado de Deus não depende da conformidade com modelos relacionais específicos.

De acordo com o The Christian Post, o debate ocorre mais de uma década após mudanças significativas na posição da PCUSA sobre questões ligadas à sexualidade. Em 2011, a denominação passou a permitir a ordenação de pessoas LGBT assumidas. Em 2015, seus presbitérios aprovaram uma alteração que reconheceu o casamento entre pessoas do mesmo sexo, em período próximo à decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos no caso Obergefell v. Hodges.

O teólogo Robert Gagnon afirmou que as discussões atuais sobre poliamor são consequência das mudanças promovidas anteriormente pela denominação. Segundo ele, ao abandonar a compreensão bíblica tradicional do casamento entre homem e mulher, a igreja enfraqueceu os fundamentos utilizados para defender a exclusividade de relacionamentos entre duas pessoas.

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Gagnon, autor do livro A Bíblia e a Prática Homossexual: Textos e Hermenêutica, declarou que a aceitação de uniões homossexuais representa uma ruptura mais profunda com a ética sexual apresentada nas Escrituras do que a própria discussão sobre o poliamor.

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