opinião
Nós, cristãos, também #somosTodosMaju
Eis aí mais um triste exemplo de intolerância e agressividade, desta vez alimentado por resquícios nazistas.
Um post na página do Facebook do Jornal Nacional com a foto da jornalista responsável pela previsão meteorológica, Maria Júlia Coutinho, revelou o quanto de preconceito racial persiste, ainda que de forma oculta, entre os valores de alguns brasileiros.
Logo que publicada, a foto de Maju, que é negra, foi alvo de comentários enfaticamente racistas. Em resposta, veio uma comoção, com milhares de respostas em defesa da apresentadora. “Em pleno século XXI e ainda existe racismo no mundo. Lamentável”, “Racismo não é mais que isso, inveja!”, “O racista é tão desumano que tem vergonha de mostrar a sua própria identidade.”
O jornalista William Bonner postou na Fanpage do Jornal Nacional um vídeo com toda equipe da atração em apoio à companheira de trabalho e lançou a hashtag #SomosTodosMaju, que foi o assunto mais comentado do Twitter na sexta-feira.
É uma lástima que em pleno século XXI tenhamos que enfrentar esse tipo de desrespeito ao próximo. É ainda mais lastimável saber que parte da população pensa dessa forma, mesmo que não de forma explícita.
A raça negra venceu o desafio da sociedade escravagista estabelecida nos tempos do Brasil colônia e abolida em 1888. Mas, se a Lei Áurea garantiu aos negros a liberdade formal, a colonização de exploração imposta por nações europeias ao nosso país destinou a esse povo apenas as franjas da sociedade, a periferia dos grandes centros urbanos; o tratamento de subordinação diante da elite branca – esse o maior dos contrassensos, na medida em que a maioria da população brasileira é de pessoas declaradamente negras, conforme dados do IBGE (Insituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Vamos refletir sobre o que disse Frederick Dougral em 1882: “Se não há luta, não há progresso (…) Esta luta pode ser moral ou física: ou pode ser ambas, moral e física: mas tem que ser uma luta. O poder nada concede sem uma demanda. Ele nunca o fez nem o fará. Pode-se não receber por tudo aquilo que se pagou nesse mundo: mas, certamente, pagou-se por tudo aquilo que se recebeu”.
Infelizmente, eis aí mais um triste exemplo de intolerância e agressividade, desta vez alimentado por resquícios nazistas.
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