igreja perseguida
Novo atentado deixa cristãos em Bangladesh aterrorizados
Os cristãos em Bangladesh relatam crescente preocupação diante de uma onda de ataques contra locais católicos, incluindo um atentado com bomba caseira contra a Catedral de Santa Maria, em Daca, e uma explosão semelhante em uma escola administrada pela Igreja. Segundo a Agência Católica de Notícias (CNA), um homem de 28 anos foi preso pela Polícia Metropolitana de Daca na última semana em conexão com os incidentes.
Ataques em sequência
O primeiro ataque ocorreu na sexta-feira (1º de novembro), por volta das 22h30, quando uma bomba caseira explodiu próxima à Catedral de Santa Maria. A polícia encontrou outro artefato não detonado no terreno da igreja. No dia seguinte, sábado (2), uma nova explosão atingiu o complexo da Escola Secundária e Faculdade São José, localizada no bairro Mohammadpur, também na capital.
De acordo com a CNA, o local fica nas proximidades de residências de comunidades religiosas e da sede da Conferência Episcopal Católica de Bangladesh (CBCB). Apesar dos dois ataques, o jornal The Catholic Herald informou que ninguém ficou ferido. A catedral manteve suas celebrações regulares, reunindo cerca de 500 fiéis no culto matinal de sábado.
Reações da comunidade
Em comunicado divulgado após o ataque, o padre Bulbul Rebeiro, secretário de comunicação social da CBCB, afirmou que a repetição dos ataques “preocupou profundamente a comunidade católica”. Ele pediu que o governo apure rapidamente as motivações e responsabilize os autores. “Não sabemos o motivo, mas solicitaremos à administração que esclareça e leve à justiça os responsáveis”, declarou.
Durante uma coletiva em 8 de novembro, Rebeiro reforçou o pedido por garantias de segurança aos cristãos. “Somos um povo pacífico e pequeno, mas esses incidentes estão nos assustando”, afirmou.
A polícia de Daca confirmou que o suspeito preso está sendo interrogado também sobre outros episódios recentes de violência. Investigadores o identificaram como membro da Bangladesh Chhatra League (BCL), braço estudantil da Liga Awami, partido ligado ao governo. O grupo já foi banido pela legislação antiterrorismo do país devido à participação em protestos violentos durante o governo da primeira-ministra Sheikh Hasina.
Aumento da vulnerabilidade
Segundo a organização Portas Abertas, Bangladesh ocupa o 24º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2024, que monitora países onde cristãos enfrentam maior hostilidade. A entidade informou que grupos radicais têm se aproveitado do caos político e dos protestos ocorridos em agosto para atacar igrejas e convertidos.
Cristãos que abandonaram o islamismo, hinduísmo ou budismo são os mais vulneráveis. Homens enfrentam risco de espancamentos e tortura, enquanto mulheres podem ser vítimas de violência sexual, casamentos forçados ou abandono conjugal. Igrejas tradicionais, como a Católica Romana, também são alvos frequentes de ameaças e atentados.
Novos alertas
As forças de segurança reforçaram a vigilância em templos religiosos de Daca e ampliaram as buscas por cúmplices, com apoio do Batalhão de Ação Rápida. Os ataques recentes ocorreram um mês após o atentado de 8 de outubro contra a Igreja Católica do Santo Rosário, o templo católico mais antigo do país, onde uma bomba explodiu no portão principal.
Até o momento, nenhum grupo reivindicou a autoria dos atentados. A Associação Cristã de Bangladesh acredita que os episódios possam fazer parte de uma ação coordenada, voltada a intimidar comunidades cristãs em meio à instabilidade política e religiosa que afeta o país.
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