opinião
O mal da irreligiosidade
O não-religioso de verdade difere do “ateu prático”, que é aquele que não se importa se Deus existe ou não.
Religiosos jamais pensarão como um não-religiosos ou ateus práticos. Quase todo mundo crê no sobrenatural. E este se confirma mais e mais. Não que mediremos almas, pois isto é impossível. Mas, praticamente não se pode mais negar o trânsito entre o natural e o sobrenatural, o que obviamente implica a existência deste.
O não-religioso de verdade difere do “ateu prático”, que é aquele que não se importa se Deus existe ou não.
Ser não-religioso também não significa necessariamente ser um materialista hedonista. Há, creio, quem seja não-religioso e tenha uma vida regrada, incólume.
O antirreligiosismo à que me refiro é, antes de tudo, dogmático. É o outro ponto do mesmo espectro no qual se encontra o fanatismo religioso. Ambos vêem o mundo sob a lente psicológica do ultra-dogmatismo, da visão distorcida que infere algo como “todo mundo pensa errado, em tudo, menos eu”. Este sentimento é oposto ao que o verdadeiramente religioso pensa e sente.
Já vivemos dias em que religião é sinônimo de pecado, atraso ou o que haja de pior, e diferenciar estas nuances é importante, pois tem-se combatido a “besta” que pode ser produzida pela religião – através dos seus fanáticos -, com outra “besta”, tão mortal e destrutiva quanto, pois é igualmente desumana, cega em sua presunção em olhar o mundo com a lente, como dissera, de que “todo mundo está errado em tudo, exceto ela própria”.
Numa era acrítica como a nossa, em que as pessoas não têm mais a mínima percepção das coisas, confundindo “opiniões” com “conhecimento”; em dias nos quais “pensar dói”; num tempo em que, mesmo após duas guerras mundiais feitas por pessoas extremamente racionais (a seu modo) e mais de 60 anos de guerra fria, causada em parte por uma nação que matou cerca de 30.000.000 de seu próprio povo, vangloriando-se de seu ateísmo, não é de admirar que concedamos cada vez mais poder a “fanáticos irreligiosos” (isto, você leu certo!), nas mais diversas esferas de influência social, e que impõem em distintos viezes a sua visão distorcida e antinatural de mundo, convencendo-se a si e aos demais, fanaticamente, que o problema do mundo é a expressão religiosa do Homem, a vontade de perquerir o sobrenatural e o divino, a própria ideia da relação antiquíssima entre humanidade e religião, retirando-lhe a importância sócio-teo-antropológica, a qual se vê cada dia mais atacada pelos estranhos e crescentes valores destes “novos sacerdotes” e da sociedade que aí está. O resultado? O caminho para se abolir (leia-se “destruir”) a “tudo o que se chama Deus ou se adore” (2 Ts. 2:1-4).
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