estudos bíblicos
O que é uma igreja fria?
Sim, uma igreja que rejeita os preciosos dons do Espírito Santo é uma igreja fria!
De quando em quando se ouve um murmúrio aqui e ali: “mas que pregador frio!”, ou “que culto frio!” e ainda: “aquela igreja é muito fria”.
Mas será que essa reclamação é mesmo justa e procedente? O que entendemos por “frieza”? E o que a Bíblia realmente diz sobre esse assunto? Meditemos um pouco e nos autoanalisemos ao final.
O apóstolo Paulo exortou os crentes romanos da seguinte forma: “Nunca falte a vocês o zelo, sejam fervorosos no espírito, sirvam ao Senhor” (Rm 12.11, NVI). Neste curto versículo temos uma tríplice recomendação pastoral: (1) a igreja deve ser zelosa (a versão NTLH traduziu “Trabalhem com entusiasmo e não sejam preguiçosos”); (2) deve prezar pelo fervor espiritual; e (3) empenhar-se no serviço do Senhor.
O fervor espiritual está bem no centro da exortação e é o oposto da tão falada “frieza espiritual”. O termo grego para o verbo ferver é zeo, que significa ferver, ser quente.
Aplica-se tanto ao muito amor, como à muita raiva; pode referir-se tanto ao ser muito desejoso pelo que é bom, como à paixão ou obsessão pelo que é mau. Evidentemente, na exortação paulina que já citamos, a conotação é positiva, e fala de ferver, esquentar, borbulhar, manter a temperatura elevada para o que é bom.
Esta “temperatura alta” na igreja, ou ainda o calor que a mantém borbulhando de alegria, adoração e serviço, é o próprio Espírito de Deus atuando livre e poderosamente dentro dela.
Não sem razão, noutro momento o apóstolo Paulo adverte a igreja de Tessalônica: “Não apagueis o Espírito” (1Ts 5.19). O verbo apagar nesse texto remete a fogo; por metáfora, o Espírito é este fogo na igreja, que não pode ser apagado senão ela esfria, congela, derrete, evapora e desaparece! O Espírito é o fogo que produz luz divina e calor espiritual, mantendo longe de nós o desânimo, a apatia, o desinteresse e a lentidão nas coisas espirituais.
Sim, uma igreja que rejeita os preciosos dons do Espírito Santo é uma igreja fria! Afinal, distribuir dons espirituais para melhor capacitar a igreja para a adoração, comunhão e serviço é uma das atividades precípuas do Espírito Santo. Ser vagaroso ou desinteressado na busca dos dons é marca de um espírito frio em que não há o ardor do Espírito Santo.
Mas não é só isso. Igrejas frias são também aquelas que não têm desejo ardente (de ardor, fervor, fogo) pela oração, pela evangelização, pelo serviço social em favor dos necessitados, e, pior, vivem sem nenhuma expectativa sincera pela iminente volta de Cristo.
Na igreja fria não há comunhão intensa entre os membros, não há anseio sincero pela presença de Deus, os programas de evangelismo estão parados ou são lentos, os membros mais pobres são desassistidos e passam privações… Mas há quem pense que tal igreja é “fogo puro” apenas porque a batucada da música, os “revelamentos” dos profetas e a gritaria dos pregadores causam arrepios e emoções nos crentes. Ledo engano! Isso não é fervor espiritual, é emocionalismo barato, dissociado do genuíno ardor do Espírito!
E quer ver como é fácil identificar uma igreja fria? Veja se ela gosta de ensino bíblico, de exposição doutrinária, da explicação das Escrituras, centralizando a pessoa de Jesus Cristo, ou se, ao contrário disso, está sempre se contentando com caixinhas de promessas (versículos tirados do contexto, mal interpretados e mal aplicados), com bibliomancia (adivinhação da vida pessoal através de leituras aleatórias de versículos bíblicos) ou com revelações proféticas (e veja a multidão de crentes-clientes dos “profeteiros” de plantão nas redes sociais!). A igreja fria não tem nenhum estímulo pela exposição bíblica, por cultos de instrução e é impaciente com estudos bíblicos que se demorem por mais de trinta minutos!
Pode ser até que as cadeiras sejam sacudidas na hora dos cânticos, e que os crentes sapateiem muito em momentos de “revelações proféticas”, mas se a Palavra de Deus é de pouco ou de nenhum interesse nessas igrejas, então elas são frias. Geladas talvez! O fogo que ali queima é “fogo estranho” e não o verdadeiro fogo do Espírito!
Os dois discípulos com os quais Jesus conversara no caminho de Emaús, explicando para eles desde os livros de Moisés o que haveria de acontecer com o Filho do homem e como ele deveria ressurgir dentre os mortos, disseram um para o outro: “Não estavam ardendo os nossos corações dentro de nós, enquanto ele nos falava no caminho e nos expunha as Escrituras?” (Lc 24.32). Igrejas frias não gostam de exposição bíblica; igrejas quentinhas, aquecidas, calorosas, fervorosas são igrejas nas quais os corações ardem ao ouvirem a maravilhosa Palavra de Deus sendo fielmente proclamada!
“Porventura a minha palavra não é como o fogo, diz o Senhor?…” (Jr 23.29).
A sua igreja, afinal, é fria ou é fervorosa?
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