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Sóstenes defende Cezinha de Madureira após operação da PF: “Perseguição”
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), manifestou apoio ao deputado Cezinha de Madureira (PL-SP) nesta segunda-feira, 14, depois que o parlamentar foi alvo de buscas autorizadas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Durante coletiva da oposição no Congresso, Sóstenes classificou a investigação como “perseguição política”, questionou a relação entre as suspeitas de tráfico de influência e o inquérito sobre emendas parlamentares e prestou solidariedade ao correligionário.
“Hoje, quero me solidarizar com o meu liderado, deputado Cezinha de Madureira”, afirmou. “Agora, parece que, já que o inquérito das fake news vai para a lata do lixo e vai acabar, o novo inquérito usado para fazer esse tipo de chantagem com parlamentares é este inquérito sobre emendas parlamentares.”
Cezinha foi alvo da terceira fase da Operação Transparência. A Polícia Federal apura suspeitas de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Mensagens obtidas pela investigação indicam, segundo a PF, que o parlamentar teria usado sua posição e seus contatos para oferecer influência sobre ministros de tribunais superiores em processos de interesse de terceiros. Há contratos que previam pagamentos condicionados ao êxito de ações judiciais, com valores que chegavam a R$ 2 milhões.
A investigação também incorporou o episódio dos R$ 510 mil em espécie apreendidos, em agosto, na bagagem de Valéria Rodrigues Linhares, mulher de Cezinha. A defesa dela afirmou na ocasião que o dinheiro tinha origem em honorários advocatícios.
Dino autorizou buscas em endereços ligados aos investigados, mas rejeitou a realização da medida no gabinete de Cezinha na Câmara por considerar insuficientes os elementos apresentados para justificar a diligência no local.
Sóstenes contesta operação
Durante coletiva, Sóstenes contestou justamente a conexão estabelecida entre os fatos investigados e o inquérito originalmente relacionado às emendas.
“Com a desculpa de emenda parlamentar, agora se acusa o parlamentar Cezinha de Madureira de tráfico de influência no Poder Judiciário”, disse. “Ora, tráfico de influência com quem? Quais são? Dê nome aos bois.”
O líder do PL também contestou: “Primeiro, para mandar uma busca e apreensão. Segundo: o que isso tem a ver com emenda?”.
A PF afirma, contudo, que os ministros citados nas mensagens não são investigados. Segundo os investigadores, não foram identificados elementos de solicitação, aceitação ou recebimento de vantagem indevida por integrantes do Judiciário. Os magistrados aparecem no caso como possíveis destinatários da influência que, de acordo com a hipótese investigativa, teria sido oferecida pelos suspeitos a terceiros.
“Alguém dos senhores da imprensa ou do Brasil viu e acha que se tem que investigar desvio de emenda, por que só se investiga desvio de emenda de parlamentares da direita?”, interpelou. “Será que ninguém da esquerda merece também uma investigação? Só parlamentar da direita tem a probabilidade de desviar emenda? Lógico que não.”
Na sequência, afirmou: “Isto tem endereço. Isso está claro e patente aos olhos de todo o Brasil: este inquérito é o novo inquérito das fake news para produzir perseguição política.”
Defesa de Cezinha de Madureira
A defesa de Cezinha também se manifestou nesta segunda-feira. Em nota, afirmou que o deputado confia na Justiça, está à disposição das autoridades e prestará os esclarecimentos necessários. Os advogados disseram ainda que, com acesso integral aos elementos da investigação e exercício do contraditório, será demonstrado que “nenhuma irregularidade foi cometida”.
A defesa também fez uma crítica ao momento da operação, ao afirmar que, conforme a jurisprudência do STF, “medidas de tamanha repercussão deveriam ter sido conduzidas com a devida distância de qualquer circunstância política ou eleitoral”. Com: Oeste.
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