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Homem fez ritual satânico para bloquear orações, mas não previu tudo
Um confronto ocorrido na sexta-feira, 28 de março, entre integrantes de um grupo satânico e manifestantes cristãos e agentes de segurança resultou em prisões e tumulto na rotunda do Capitólio estadual do Kansas, no último dia da sessão legislativa de 2025.
O episódio envolveu cerca de 30 membros do grupo Satanic Grotto, sediado na região de Kansas City, que tentaram realizar um ritual descrito como uma “Missa Negra” dentro do edifício público. A governadora do estado, Laura Kelly, havia emitido uma ordem proibindo manifestações internas no local, citando riscos à segurança.
Entre os detidos está Michael Stewart, fundador do grupo, que havia anunciado previamente a intenção de desobedecer a ordem. Em publicação feita em 25 de março, na página oficial do grupo no Facebook, Stewart declarou:
“Nossa equipe de fogo e enxofre é feroz e viscosa. Vamos deixar essa multidão desconfortável e vamos abafar suas orações. Como bônus, distribuiremos kits de ‘mini missa negra’ que podem ser usados em qualquer lugar a qualquer hora! Instruções incluídas”.
A tentativa de iniciar o ritual foi interrompida após Stewart ler em voz alta trechos de seu roteiro. Segundo registros em vídeo, um jovem identificado como Marcus Schroeder, de 21 anos, tentou retirar os papéis das mãos de Stewart, que reagiu com um soco. O impacto gerou um tumulto generalizado, durante o qual uma criança de quatro anos foi derrubada ao chão.
A Polícia Rodoviária do Kansas interveio e deteve Stewart e outros dois participantes do grupo. Durante a prisão, os detidos entoaram frases como “salve, satanás!”. Além de Stewart, foram presos Jocelyn Frazee, 32 anos, e Sean Anderson, 50, sob a acusação de participação em reunião ilegal. Schroeder também foi detido por suspeita de conduta desordeira. Um amigo do jovem declarou à imprensa local que “ele não deu nenhum soco”.
A esposa de Stewart, que se identifica como Maenad Bee, afirmou que o marido estava exercendo seu direito à liberdade de expressão, conforme garantido pela Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos.
Em declaração à imprensa após o ocorrido, Stewart disse que sua intenção era “provocar reflexão no encerramento da legislatura”. Segundo ele, “era apenas o último dia da legislatura, e eu queria que eles terminassem a sessão pensando sobre isso. E talvez se perguntassem o que faremos no dia da abertura do ano que vem”.
Stewart sugeriu ainda a possibilidade de retornar ao local em 2026 com outro ritual. “Talvez desbatismos, bem aqui no Capitólio. Isso pode ser divertido”, afirmou.
Enquanto o grupo se organizava para o ato, centenas de cristãos reuniram-se em contraprotesto do lado de fora do prédio. Entre os presentes estava o pastor Jeremiah Hicks, da Cure Church, em Kansas City. Ele declarou: “A Bíblia diz que Satanás vem para roubar, matar e destruir, então quando dedicamos um estado a Satanás, estamos dedicando-o à morte” (João 10:10).
Durante o protesto, Hicks relatou ter sido alvo de ofensas de cunho racial. “Jesus nos ama a todos, e ele ama aquelas pessoas ali também. Muitas vezes, o cristianismo é representado como uma religião de ódio. Mas queremos ser odiados pelo nosso amor,” disse. Em seguida, acrescentou: “Estamos em 2025, e quando você diz a um cara negro, ‘F-you slave’, independentemente de você ser um satanista ou uma pessoa aleatória, isso é racismo. Mas é legal. Estamos aqui por amor. Estou aqui para orar pelo Capitólio e dedicar o estado do Kansas a Jesus, e não a satanás”.
A governadora Laura Kelly, que não emitiu nova nota após o ocorrido, havia anteriormente respaldado a suspensão de manifestações na rotunda do Capitólio. A decisão contou com apoio de lideranças religiosas locais, incluindo os bispos católicos do estado, que classificaram a “Missa Negra” como “um ato desprezível de intolerância anticatólica”.
As duas câmaras da legislatura estadual aprovaram resoluções condenando o evento organizado pelo Satanic Grotto. Até o fechamento desta reportagem, representantes do grupo não responderam aos pedidos de declaração feitos por veículos de imprensa.
As autoridades não informaram se novas medidas serão adotadas para evitar episódios semelhantes em futuras sessões legislativas, segundo a CBN News.
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