igreja perseguida
Irã: fé e generosidade são demonstradas por cristãos em meio à crise
Cristãos no Irã enfrentam dias de silêncio, medo e incerteza após mais de uma semana de guerra e interrupções quase totais nas comunicações. Parceiros da organização Portas Abertas conseguiram contato breve com alguns fiéis e confirmaram que muitos estão seguros, embora vivam sob condições extremas.
Um parceiro local, que não teve o nome divulgado por segurança, relatou alívio ao conseguir falar com irmãos na fé após nove dias sem comunicação. “Foi um grande alívio finalmente ouvir as vozes de nossos irmãos e irmãs depois de nove dias de silêncio. Louvado seja o Senhor, eles estão seguros”, afirmou.
Apesar disso, famílias cristãs enfrentam situações delicadas. Um dos casos envolve um jovem desaparecido durante protestos em janeiro. Os pais buscaram informações em prisões e necrotérios, mas seguem sem respostas, agora agravadas pela falta de comunicação. O parceiro pediu oração pela proteção do jovem e consolo para a família. “O silêncio e a incerteza têm sido extremamente pesados para eles”, disse.
Relatos também indicam preocupação com jovens recrutados para o serviço militar obrigatório. Segundo um cristão identificado como Mohsen, comandantes teriam abandonado quartéis, deixando soldados inexperientes expostos. “Meu sobrinho está servindo como recruta. Recentemente, muitos comandantes deixaram os quartéis, e os jovens soldados foram colocados na linha de frente”, declarou.
A crise econômica no país tem se intensificado. A inflação, o desemprego e a escassez de alimentos e medicamentos já afetavam a população antes do agravamento do conflito. Com a instabilidade atual, igrejas locais tentam auxiliar com itens básicos, mas as necessidades continuam crescendo.
Na prisão de Evin, onde cristãos estão detidos por causa da fé, a situação também preocupa. Segundo relatos, guardas abandonaram partes da unidade. Um contato conseguiu enviar uma mensagem informando condições precárias. “Eles estão basicamente sobrevivendo de pão e água. Em alguns casos, os guardas se recusam a dar água aos presos, a menos que paguem por ela”, relatou o parceiro.
O cenário de risco se estende à população civil. Autoridades iranianas têm utilizado áreas densamente povoadas em operações militares, aumentando o perigo para moradores. O procurador-geral também ameaçou confiscar bens de iranianos no exterior considerados colaboradores do “inimigo”, além de prever punições severas.
Mesmo diante das dificuldades, há relatos de solidariedade entre os cristãos. Uma família abriu sua casa para acolher outra que perdeu a residência após uma explosão. No local, eles se reúnem para orar, ler a Bíblia e fortalecer a fé.
O parceiro destacou que esse apoio mútuo reflete a unidade da igreja em meio à crise. Ele afirmou que os cristãos seguem confiando em Deus, mesmo diante das perdas, e pedem oração por proteção, provisão e paz para famílias afetadas, desaparecidos, presos e civis expostos aos conflitos.
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