igreja perseguida
Lei no Sudão pode diminuir perseguição a ex-muçulmanos convertidos ao cristianismo
Governo de transição concordou em estabelecer uma comissão de liberdade religiosa, para resolver violações no país.
O governo do Sudão resolveu estabelecer uma comissão de liberdade religiosa que pode aliviar a perseguição aos cristãos, principalmente os ex-muçulmanos, no país africano.
A decisão faz parte de um acordo de paz entre o governo interino e o Movimento Popular de Libertação do Sudão do Norte, um grupo baseado nos estados predominantemente cristãos do Kordofan do Sul e do Nilo Azul que vem travando uma guerra contra o governo do ex-presidente Omar al-Bashir.
O movimento pediu a criação de uma comissão nacional de liberdade religiosa para fazer parte das negociações de paz.
“Hoje concordamos em estabelecer a comissão de liberdade religiosa, porque as duas áreas têm um número considerável de cristãos sudaneses, então esta é uma questão importante que foi resolvida”, disse o vice-líder e negociador-chefe grupo, Yasir Arman, em entrevista coletiva à imprensa.
A notícia foi bem recebida pela Portas Abertas que em um relatório de 2016 alertou que os cristãos dos dois estados estavam enfrentando uma limpeza étnica.
“Comemoramos esse resultado. É um bom começo”, disse o colaborador do ministério na África Subsaariana.
Ele, porém, alerta que os cristãos de outras partes do país, como Darfur, também precisam da proteção religiosa. “Eles precisam de órgãos como esses que possam garantir a liberdade de praticar a religião de sua escolha, privada ou publicamente, sem interferência”, afirmou.
A situação dos cristãos ex-muçulmanos no Sudão, sétimo país da Lista Mundial da Perseguição 2020, é alarmante. O país tem um histórico de limitar severamente o direito das pessoas de escolher e mudar de religião, perseguir os convertidos e aprisioná-los por longos períodos.
“O governo do Sudão precisa desesperadamente garantir que esses abusos não possam ser repetidos pelo Estado ou pela sociedade”, acrescentou.
Essa notícia vem logo após uma decisão do governo de abolir a pena de morte a quem escolher deixar o islã e se converter ao cristianismo. Essas medidas fazem parte do Projeto de Emendas Variadas de 2020 e o Departamento Legislativo do Ministério da Justiça está elaborando a lei.
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