opinião
Matemos a Lázaro
“ (…) E grande número dos judeus chegou a saber que ele estava ali: e afluiram, não só por causa de Jesus mas também para verem a Lázaro, a quem ele ressuscitara dentre os mortos. Mas os principais sacerdotes deliberaram matar também a Lázaro; porque muitos, por causa dele, deixavam os judeus e criam em Jesus.” (Jo 12.9-11)
Como a religião pode ser destrutiva.
O judaísmo havia se transformado em um sistema religioso rotineiro, opressor, e por que não dizer uma grande máquina que beneficiava somente um pequeno grupo de homens que manipulavam a vida espiritual da maioria, conhecidos como Sacerdotes.
Havia ainda, dentro da religião judaica, uma grande disputa entre suas várias seitas, tais como:
Fariseus, viviam na literalidade absoluta da Lei. Jesus sempre denunciava nos fariseus exatamente a sua exterioridade que de forma alguma produzia uma consequência prática interna, assim como os “Filactérios” que ostentavam nas testas ou no braço esquerdo que funcionavam como um “Fetiche” sagrado, não proporcionando a transformação do coração, não humanizando a vida, não tornando-a mais obediente, mais generosa; não a desafiando a uma comunhão mais profunda e íntima com o Pai, da Sua Palavra e da carência do próximo.
O outro grupo era o formado pelos Zelotes, assim chamados por se denominarem os portadores da espada da justiça divina. Segundo eles próprios, eram zelosos o suficiente para fazer justiça social ou política. Também se excluíam do mundo, não por questões religiosas ou cerimoniais, mas por serem obcecados politicamente, detalhistas e puristas, detalhistas, preconceituosos, projetavam construir uma teocracia na terra.
Os Saduceus, por sua vez, em sua maioria, era formada de sacerdotes, portanto, ministrando dentro do templo, oficiando, diante de Deus, todos os sacrifícios e todas as cerimônias. E, sendo assim, manietados dentro dum claustro litúrgico que não se comunicava com as demais dimensões da vida.
Os Essênios eram conhecidos como um grupo de retração não apenas física e geográfica, mas também de alienação espiritual, mental, quase que total, no que concernia à história humana, notadamente com Israel.
Surge Jesus com uma proposta, não para Fariseus, Saduceus, Zelotes ou Essênios, mas para uma plateia que não tinha nenhum “Pedigree”, não eram portadores de nenhuma “Griffe” religiosa, eram pescadores, prostitutas, fiscais de impostos, pais desesperados, mães esperançosas, leprosos, cegos, coxos, a escória da sociedade da época e aos mortos.
Lázaro fazia parte deste grupo de carentes, adoeceu e morreu.
Para o judaísmo e suas seitas era o fim da linha para o amigo de Jesus.
Surge, então, no local da sepultura, após quatro dias da morte de Lázaro, Jesus.
O sistema religioso de Israel fez a sua parte, sepultou-o em uma tumba escavada na rocha e selou-a com uma pedra. Para a religião era o fim, mas o Evangelho transcende mais uma vez e Jesus determina que a pedra da crença seja retirada, a crença que produz o mal cheiro, a desesperança, o terror e a rotina.
O Príncipe da Paz determina que Lázaro saia da tumba e dá em seguida uma curiosa ordem : “ – (…) Disse-lhes Jesus: Desligai-o e deixai-o ir.(…)” (Jo 11.44c)
Jesus deixa claro que para se entrar na dimensão do Evangelho da Vida precisamos nos desatar e nos desconectar da religião morta que nos formata e nos anula.
Este milagre foi tão contundente para os presentes que alguns judeus passaram a crer em Jesus, causando inveja nos líderes do sistema religioso, que agora decidiram matar o alvo do milagre, o próprio Lázaro, como registrado em Jo 12.9-11c:
“(…) Mas os principais sacerdotes deliberaram matar também a Lázaro; porque muitos, por causa dele, deixavam os judeus e criam em Jesus. (…)”
Fica muito claro neste episódio como a religião é cega, e como seus seguidores não pensam duas vezes para cometer atos insanos para manter o sistema ativo a despeito até mesmo de serem confrontados com a Verdade que é Cristo Jesus. Muitos “Lázaros” tem sido assassinados pelos Sacerdotes que ainda insistem em aprisionar seus seguidores nas tumbas da religião morta. É mais fácil tirar de circulação os “Lázaros” rebeldes ao sistema do que voltar a ensinar o verdadeiro Evangelho da Bíblia.
Mas para aqueles que não suportam mais a manipulação, o aprisionamento, o mal cheiro, e a rotina insana da religião morta e querem entrar na dimensão do Evangelho da Vida e Esperança ainda ecoa a ordem do Eterno Cristo:
“ Tirai a pedra; Desligai-o e deixai-o ir”
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