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Menos da metade dos fiéis sabe o que a Bíblia diz sobre LGBT

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Um novo levantamento realizado pela Family Research Council (FRC), em parceria com o Cultural Research Center da Arizona Christian University, apontou que a maioria dos frequentadores de igrejas nos Estados Unidos não reconhece ensinamentos bíblicos claros sobre temas como homossexualidade e transgenerismo.

O estudo, divulgado em julho de 2025, envolveu 1.003 adultos que frequentam regularmente igrejas e buscou analisar como os fiéis interpretam o posicionamento das Escrituras diante de questões sociais contemporâneas.

Queda de clareza

Segundo os resultados, 51% dos entrevistados acreditam que a Bíblia possui ensinamentos “claros e decisivos” sobre o aborto, uma redução em relação aos 65% registrados em 2023. Outros 21% classificaram a abordagem bíblica como “ambígua”, enquanto 17% afirmaram que a Bíblia “não trata” do tema, e 11% declararam não saber.

A percepção sobre a liberdade religiosa apresentou números semelhantes: 59% consideram que a Bíblia é clara nesse assunto, 20% a veem como ambígua e 22% não identificam referência direta.

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O índice mais alto de consenso foi sobre o casamento — 65% dos participantes afirmaram que a Bíblia é clara quanto à definição de uma união legítima, enquanto 19% enxergam ambiguidade e 8% dizem não saber ou não encontrar referência direta.

Já sobre homossexualidade, a pesquisa mostra uma queda acentuada: apenas 47% dos frequentadores creem que a Bíblia é clara, ante 63% em 2023. Cerca de 26% consideram o texto “ambíguo”, 16% entendem que a Bíblia “não aborda” o tema, e 11% não souberam responder.

A mesma tendência aparece no tema transgenerismo. Somente 40% afirmaram que a Bíblia tem posição “clara e decisiva”, contra 52% dois anos antes. Para 23%, as Escrituras são “ambíguas” nesse ponto; 24% acreditam que não tratam do assunto; e 11% não têm opinião definida.

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Análise pastoral

O pastor batista Tony Perkins, presidente da Family Research Council e uma das principais vozes do movimento cristão conservador em Washington, avaliou que os resultados revelam “uma grande necessidade de ensino bíblico” sobre temas morais contemporâneos.

“Muitos pastores, muitas igrejas não estão ensinando sistematicamente a Palavra de Deus. E é exatamente a isso que precisamos voltar”, declarou. Perkins afirmou que o receio de líderes em “ofender ou perder pessoas” ao tratar de temas sensíveis cria um vácuo espiritual e cultural. “Esse espaço acaba sendo ocupado pela mídia e pela cultura mais ampla, que moldam a visão de mundo de muitos cristãos”.

Ele destacou que o problema não está em se ouvir “a coisa errada” nas igrejas, mas em não se ouvir nada sobre esses temas. “A ausência de ensino sólido deixa espaço para que a sociedade dite valores que a Igreja deveria estar explicando à luz das Escrituras”, afirmou.

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Exemplo de ensino

Perkins citou as igrejas da Calvary Chapel como exemplo de comunidades que mantêm consistência doutrinária ao ensinar toda a Bíblia de forma expositiva. Ele recordou o legado de Chuck Smith, fundador do movimento na Califórnia, no final da década de 1960. “Smith ensinava seus pastores a pregar a Bíblia de forma integral. Assim, quando essas questões surgem, as igrejas estão preparadas para lidar com elas naturalmente.”

Segundo Perkins, a prática de ensino cronológico e leitura regular das Escrituras ajuda as igrejas a abordar temas polêmicos de maneira equilibrada, sem precisar selecioná-los artificialmente. “Eles não escolhem as pautas — apenas seguem o texto bíblico, e o próprio texto conduz às discussões que o tempo exige”, explicou.

Implicações culturais

O relatório conclui que o distanciamento entre a fé professada e o conhecimento bíblico reflete uma crise de cosmovisão dentro das igrejas americanas. A pesquisa sugere que, à medida que as convicções se tornam menos fundamentadas nas Escrituras, cresce a influência de narrativas culturais e ideológicas.

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De acordo com o The Christian Post, Perkins resumiu a preocupação em termos espirituais: “Quando a igreja se cala, o mundo prega. E o resultado é uma geração que já não distingue o que é opinião humana daquilo que é verdade revelada por Deus”.

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