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Pastor brasileiro opta por se autodeportar dos EUA
O pastor brasileiro Albert Oliveira, líder da Primeira Igreja Batista de Gordon, no Texas, afirmou que sua decisão de deixar os Estados Unidos é motivada por consciência e respeito à lei, e não apenas por questões legais. Seu visto R-1, concedido a trabalhadores religiosos, expira em novembro, o que o levará, junto com sua família, a retornar voluntariamente ao Brasil.
“Se a lei, como está atualmente, não oferece justiça àqueles que fizeram o que ela exige, cabe à consciência daqueles que estão no poder fazer o que é certo”, declarou Oliveira ao The Christian Post. “Minha família e eu decidimos que, embora Deus esteja no controle e Sua vontade seja perfeita, confiamos que Ele usará nossas vidas para tocar os corações daqueles que estão no poder e fazer a diferença nesta questão.”
Do Brasil ao Texas
Albert Oliveira chegou aos Estados Unidos em 2011, com um visto de estudante F-1, para estudar missões interculturais e psicologia. Formou-se posteriormente com mestrado em missiologia pelo Seminário Teológico Batista do Sudoeste (SWBTS), em Fort Worth.
Antes de emigrar, Oliveira atuava no Brasil como intérprete linguístico para missionários estrangeiros. Uma das famílias missionárias o ajudou a vir aos Estados Unidos para dar continuidade à sua formação acadêmica.
Durante o período de estudos, ele começou a trabalhar na Primeira Igreja Batista de Gordon (FBC Gordon) como ministro estudantil, função na qual ajudou a liderar a congregação durante os lockdowns da pandemia de COVID-19 em 2020. Pouco tempo depois, foi nomeado pastor titular da igreja.
“Deus tem sido tão generoso em me permitir participar dos batismos que acontecem todos os meses e das pessoas que se convertem a Cristo”, disse Oliveira. “Nossa igreja agora tem parcerias ministeriais em Honduras, Brasil e Nova York. Muitas pessoas se converteram, foram batizadas e floresceram em seu relacionamento com Cristo por meio deste ministério”.
A cidade de Gordon, com cerca de 500 habitantes, chegou a considerar o fechamento da igreja por causa da baixa frequência. Entretanto, sob a liderança de Oliveira, a congregação passou a crescer de forma constante: “Agora, nossa igreja está tendo que estudar a possibilidade de expandir o santuário devido ao crescimento. O ministério aqui tem sido definitivamente uma aventura alegre”, afirmou.
Retorno voluntário
Em 9 de novembro, Oliveira e sua família planejam retornar voluntariamente ao Brasil, ato que ele descreve como “autodeportação”.
“Chegamos aqui dentro da lei, ficamos aqui dentro da lei e sairemos dentro da lei”, declarou.
Embora seu filho mais novo tenha cidadania americana, o visto R-1 de Oliveira e o R-2 de sua esposa expiram no mesmo mês. O pastor havia solicitado um visto EB-4, que oferece caminho para residência permanente (green card), mas o acúmulo de pedidos atrasou o processo.
Com poucas chances de aprovação antes do vencimento, ele decidiu deixar o país para evitar permanecer em situação irregular.
A família pretende passar os primeiros seis meses no Brasil e, posteriormente, seguir para a Alemanha, enquanto Oliveira continuará pastoreando a FBC Gordon remotamente.
“Pretendo pregar por meio de transmissões ao vivo, participar de reuniões virtuais e continuar envolvido com a igreja o máximo possível até que possamos retornar, se Deus quiser”, explicou.
Questão migratória nos EUA
A situação de Oliveira reflete um cenário vivido por milhares de cristãos imigrantes nos Estados Unidos. Dados do Departamento de Segurança Interna indicam que, desde o início do governo Trump, pelo menos 2 milhões de imigrantes ilegais foram deportados ou se autodeportaram, sendo 1,6 milhão voluntariamente.
Um relatório publicado pela organização World Relief, intitulado “Uma Parte do Corpo: O Impacto Potencial das Deportações nas Famílias Cristãs Americanas”, aponta que cerca de 80% dos 10 milhões de imigrantes em risco de deportação nos EUA são cristãos. O documento alerta para o impacto espiritual e familiar causado por esse movimento.
Apesar da partida, Oliveira mantém a esperança de retornar aos Estados Unidos e continuar seu ministério presencialmente.
“Deus está no controle. Se Ele quiser, abriremos um novo capítulo, mas sempre dentro da lei e com o coração voltado para o propósito que Ele tem para nós”, concluiu.
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