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Paulo Júnior é acusado de crimes: ‘Nos mandava tirar a roupa’
Uma série de novas acusações graves envolvendo o pastor Paulo Júnior, ex-líder da Igreja Aliança do Calvário, vem causando repercussão nas redes sociais. Os relatos apontam práticas consideradas abusivas, manipulação psicológica e possíveis crimes contra a dignidade sexual e a honra.
Paulo Júnior foi oficialmente afastado da liderança da igreja após um procedimento interno que se iniciou em novembro de 2024 e terminou com uma assembleia no início de 2025. Em vídeo publicado em suas redes sociais, o pastor reconheceu que cometeu “erros” e declarou ter falhado em suas funções como pastor, pai e marido.
Entretanto, especialistas esclarecem que esta manifestação não configura uma confissão formal dos atos denunciados publicamente pelo portal Fuxico Gospel.
Entre as práticas relatadas por vítimas estão encontros denominados pelo pastor como “ensino sobre higiene pessoal”, nos quais jovens, incluindo alguns menores de idade, eram levados a tomar banho nus na presença do líder religioso. Testemunhos afirmam que o pastor justificava essas ações alegando que os pais não haviam ensinado corretamente aspectos de higiene pessoal, cabendo-lhe exercer esse papel de maneira supostamente “paternal”.
Além disso, outras denúncias referem-se a sessões de aconselhamento espiritual e discipulado. Nestas ocasiões, Paulo Júnior exigiria dos jovens descrições detalhadas de suas práticas sexuais íntimas, especialmente sobre masturbação, sob o argumento de que a confissão só seria válida espiritualmente se detalhada minuciosamente.
Segundo advogados consultados pelo portal, tais condutas podem configurar crimes previstos pelo Código Penal Brasileiro, como a violência sexual mediante fraude, conforme descrito no artigo 215-A. Gabriela Coelho, advogada criminalista, esclareceu que “caso seja comprovado que o líder utilizou sua posição espiritual para induzir jovens a situações constrangedoras ou de exposição sexual, isso pode caracterizar crime sexual mediante fraude”.
Além disso, especialistas destacam que atos como manipulação emocional ou constrangimento psicológico com conotações sexuais podem configurar outros crimes como assédio moral, abuso de autoridade e corrupção de menores.
A Igreja Aliança do Calvário publicou nota oficial reconhecendo que houve “constrangimento emocional e espiritual por meio de ações verbais e não verbais”, admitindo práticas como alternância entre hostilidade e silêncio como formas de manipulação. Tais ações podem resultar em processos por dano moral coletivo, de acordo com juristas.
Ex-membros da igreja afirmam estar enfrentando atualmente graves problemas psicológicos, incluindo casos de tentativas de suicídio. “Só depois de sair daquele ambiente conseguimos entender o que vivemos”, relatou uma das vítimas, cuja identidade não foi revelada pelo portal.
Além das acusações relacionadas à manipulação emocional e sexual, Paulo Júnior também é acusado de agressões físicas contra músicos da igreja, inclusive durante cultos, supostamente por erros cometidos durante o louvor.
Caso as denúncias sejam formalmente investigadas e comprovadas, especialistas informam que Paulo Júnior poderá enfrentar penas superiores a dez anos de prisão, especialmente em casos de crimes sexuais contra vulneráveis e violência psicológica.
Psicólogos destacam que o silêncio das vítimas em contextos religiosos, marcado pela forte hierarquia e autoridade espiritual, é comum. Jessica Batista, psicóloga consultada, explicou: “Quando o abusador é visto como pai espiritual, questionar frequentemente é interpretado como rebeldia, e a percepção do trauma costuma ocorrer anos depois”.
Até o momento, Paulo Júnior não fez nenhuma declaração adicional sobre o caso além da já mencionada postagem em vídeo nas redes sociais.
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