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PEC das igrejas vai representar R$ 50 bi a menos em impostos

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PEC das igrejas vai representar R$ 50 bi a menos em impostos
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A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que amplia a imunidade tributária para igrejas e entidades assistenciais ligadas a organizações religiosas poderá provocar uma renúncia fiscal de até R$ 50 bilhões por ano para União, estados e municípios, segundo estimativas apresentadas durante a discussão da medida. O texto já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e ainda depende da análise do Senado.

A proposta, de autoria do deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), amplia benefícios tributários atualmente concedidos a instituições religiosas. Além da proteção já existente sobre patrimônio e renda, a PEC passa a abranger também a aquisição de bens e serviços utilizados por igrejas e entidades beneficentes vinculadas.

O texto beneficia ainda outras organizações, incluindo creches, seminários, conventos, comunidades terapêuticas e serviços de acolhimento institucional.

Os ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento estimam que o impacto para a arrecadação federal será de pelo menos R$ 10 bilhões anuais. Considerando os efeitos sobre estados e municípios, o custo total poderá alcançar cerca de R$ 50 bilhões por ano.

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Segundo integrantes da equipe econômica, a ampliação da imunidade pode influenciar diretamente a implementação da reforma tributária. Como os novos tributos sobre o consumo exigem compensação para benefícios concedidos a determinados setores, especialistas avaliam que parte da perda de arrecadação poderá ser absorvida pelos demais contribuintes por meio de alíquotas mais elevadas.

Entre os tributos alcançados pela proposta estão contribuições federais atualmente recolhidas por meio do PIS e da Cofins, que serão substituídas pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). A medida também afeta o ICMS estadual e o ISS municipal, tributos que serão gradualmente substituídos pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) durante a transição da reforma tributária.

Durante a tramitação na Câmara, parlamentares manifestaram preocupação com a possibilidade de fraudes e utilização indevida dos benefícios. O argumento apresentado foi que a facilidade para abertura de novas organizações religiosas poderia ampliar os riscos de distorções no sistema tributário.

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O Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) também demonstrou preocupação com os possíveis impactos sobre as finanças estaduais e municipais. A entidade avalia que a ampliação da imunidade exigirá regulamentações específicas e mecanismos de controle para garantir a correta aplicação das novas regras.

Especialistas em direito tributário divergem sobre os efeitos jurídicos da proposta. O advogado Daniel Biagini Brazão afirma que a simples redução de arrecadação não torna a PEC inconstitucional. No entanto, ele avalia que o Supremo Tribunal Federal poderá ser provocado a analisar se a ampliação da imunidade permanece dentro dos limites constitucionais de proteção à liberdade religiosa.

“O ponto central é saber se essa nova desoneração é necessária e proporcional à proteção da liberdade religiosa ou se ultrapassa esse limite e passa a representar um favorecimento econômico excessivamente amplo”, afirmou.

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A advogada Natasha Giffoni Ferreira entende que a ampliação de uma imunidade já prevista na Constituição tende a reduzir questionamentos sobre sua validade. Ainda assim, ela avalia que alguns pontos do texto aprovado apresentam conceitos subjetivos que poderão exigir interpretação do Poder Judiciário.

Já o advogado Gustavo de Toledo Degelo destaca que a discussão também envolve aspectos de responsabilidade fiscal e financiamento dos serviços públicos. Segundo ele, benefícios concedidos em tributos sobre o consumo costumam gerar reflexos diretos sobre a carga tributária aplicada aos demais contribuintes.

O professor Carlos Eduardo Navarro, da Fundação Getulio Vargas (FGV), não identifica inconstitucionalidade na proposta, mas considera que seus impactos fiscais poderão aumentar a pressão tributária sobre outros setores da sociedade.

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Com a análise agora concentrada no Senado, a PEC continua gerando debates entre parlamentares, juristas, representantes religiosos e autoridades da área econômica sobre seus efeitos para a liberdade religiosa, a arrecadação pública e o equilíbrio do sistema tributário brasileiro.

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