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PF investiga pesquisadora que contesta movimento trans
A pesquisadora e influenciadora digital Nine Borges tornou-se alvo de dois inquéritos conduzidos pela Polícia Federal (PF), um no Distrito Federal e outro em Minas Gerais, em procedimentos ligados a acusações de injúria racial em contexto de “transfobia”. A PF intimou Nine em ambos os casos após manifestações públicas nas quais ela afirmou ter identificado possíveis irregularidades envolvendo órgãos e instituições públicas.
Nine Borges é doutora em Educação, mestre em Ciências Sociais e coautora do livro Corrupção da linguagem, corrupção do caráter — Como o ativismo woke está destruindo o Ocidente. A pesquisadora informou que vive no Reino Unido há mais de 11 anos e afirmou que recebeu intimações por e-mail, incluindo no procedimento que tramita no Distrito Federal.
A secretária Symmy Larrat, indicada nos autos como responsável pela Secretaria LGBT do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), apresentou a representação que deu origem ao pedido formal de instauração do inquérito no Distrito Federal. Nine Borges declarou que precisou de representação jurídica para acessar os autos e que custeou essa etapa por meio de campanha pública.
Nine Borges informou que um primeiro delegado avaliou não haver “indícios mínimos” para investigação. A pesquisadora relatou que o procedimento seguiu para outro setor e foi convertido em inquérito preliminar relacionado à denúncia de “transfobia”.
Nine Borges declarou que o delegado afastou acusações de calúnia e difamação após sua oitiva. A pesquisadora informou que o delegado manteve o enquadramento por injúria racial com o argumento de que ela teria “ultrapassado os limites da liberdade de expressão” ao se referir a Symmy Larrat no masculino. A pesquisadora afirmou que o delegado também registrou reprovação a publicações em redes sociais nas quais ela questionou a divulgação de trabalhos no ministério associada a termos como “p*ta” e “travesti”.
Inquérito no DF
O inquérito no Distrito Federal se relacionou a um vídeo publicado em 2024, no qual Nine Borges afirmou ter reunido dados sobre repasses públicos que somariam mais de R$ 5 milhões, incluindo mais de R$ 3 milhões destinados pela Secretaria LGBT à ONG Aliança LGBTI+. A pesquisadora afirmou que as informações usadas no vídeo foram obtidas no Portal da Transparência.
Nine Borges declarou que a Aliança LGBTI+ passou a operar a chamada “Plataforma do Respeito”. A pesquisadora afirmou que identificou possível conflito de interesses ao associar endereços e vínculos entre entidades, incluindo a menção a uma ONG da qual Symmy Larrat teria sido presidente.
Nine Borges afirmou que quatro entidades, com CNPJs distintos, constavam no mesmo endereço e que mudanças cadastrais foram feitas depois. A pesquisadora declarou que, após o vídeo, “os repasses cessaram por todo o ano de 2025” e que os pagamentos teriam sido retomados “uma semana antes do delegado publicar parecer final recomendando o meu indiciamento por transfobia, enquanto enterrou a parte sobre calúnia e difamação”.
A Associação Matria apresentou denúncia à Corregedoria sobre os repasses, segundo Nine Borges. A pesquisadora afirmou que houve instauração de procedimento, mas que não ocorreu conclusão no prazo legal de 180 dias, nem apresentação de relatório de diligências, e que pedidos de informação não foram respondidos no período.
Nine Borges afirmou que Symmy Larrat declarou inexistência de irregularidade e apresentou nota técnica de própria autoria. A pesquisadora disse que a documentação apresentada “não” teria “força legal” e que faltariam “documentos comprobatórios”.
Nine Borges sustentou que o uso do pronome masculino ocorreu em contexto específico ligado à participação de Symmy Larrat em um comitê da ONU voltado ao tema de discriminação contra mulheres. A pesquisadora afirmou: “Diante disso, destaco que a então ministra das Mulheres, entre diversas mulheres, decidiu incluir em sua comitiva oficial uma pessoa do sexo masculino, que ocupou com destaque a mesa diretiva das discussões”. Nine Borges acrescentou: “Nesse contexto, sexo biológico importava, por isso, minhas remarcações”. A pesquisadora informou que aguarda manifestação do Ministério Público.
Inquérito em MG
A PF em Minas Gerais abriu outro inquérito contra Nine Borges, também com referência a “transfobia”, a partir de declarações feitas no podcast Inteligência Ltda., segundo a pesquisadora. Nine Borges afirmou que criticou o que chamou de aparelhamento institucional do Ministério Público e da Defensoria Pública, além de políticas públicas ligadas a pautas LGBT.
Nine Borges declarou que a denúncia partiu de uma pessoa não identificada e que o Ministério Público acolheu o pedido e solicitou a instauração da investigação. A pesquisadora afirmou que os autos registraram, em determinado momento, “ausência de materialidade”. Nine Borges disse: “Estou sendo acusada de propagar ódio, discriminação e promover violência contra grupos minoritários, sobretudo LGBT”. A pesquisadora informou que a oitiva foi marcada para fevereiro, segundo reportagem da revista Oeste.
Nine Borges declarou que a intimação chegou ao e-mail pessoal de seu pai e ao WhatsApp de seu irmão, ambos no Brasil, antes de ela ter acesso formal aos autos. A pesquisadora afirmou que o contato com familiares por canais informais foi irregular e gerou estresse. Nine Borges declarou: “Antes mesmo de eu responder à intimação — o que fiz prontamente, solicitando acesso aos autos — meus familiares já haviam sido acionados de forma indevida”.
Nine Borges afirmou que os autos incluem pedidos de preservação de dados à Meta e ao Google. A pesquisadora declarou: “Consta de maneira explícita que o objetivo subjacente é afastar-me das plataformas digitais”. Nine Borges afirmou que o processo teria impacto sobre seu retorno ao Brasil e sobre visitas à família, inclusive em situações de emergência.
Nine Borges disse que sua residência no Reino Unido oferece garantias legais adicionais. A pesquisadora avaliou: “Fica evidente o propósito de impor constrangimento e silenciamento”. A organização norte-americana Alliance Defending Freedom assumiu a representação jurídica da pesquisadora, segundo Nine Borges, com atuação articulada no Brasil, no Reino Unido e nos Estados Unidos.
Nine Borges afirmou que sua produção se apoia em literatura científica e declarou: “Embora inconveniente para determinadas agendas institucionais, discursos acadêmicos e críticas de gênero não são crime”.
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