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Sarah Mullally é escolhida como 1ª arcebispa de Canterbury
A bispa de Londres, Sarah Mullally, foi anunciada como a 106ª Arcebispa de Canterbury após um processo de seleção conduzido ao longo de vários meses. Ela se torna a primeira mulher a assumir o posto mais alto da Igreja da Inglaterra, após ter servido como bispa de Londres desde 2018.
Comentando sobre sua nomeação, Mullally declarou: “Ao responder ao chamado de Cristo para este novo ministério, faço-o com o mesmo espírito de serviço a Deus e aos outros que me motivou desde que cheguei à fé, quando era adolescente”. Ela afirmou ainda que, em toda sua trajetória — da enfermagem ao ministério cristão — aprendeu “a ouvir atentamente as pessoas e a gentil inspiração de Deus” para promover unidade, esperança e cura. “Quero encorajar a Igreja a crescer na confiança no Evangelho, a falar do amor que encontramos em Jesus Cristo e a permitir que Ele molde nossas ações”, disse.
A nova arcebispa acrescentou que encara a responsabilidade “com uma sensação de paz e confiança em Deus para me carregar como Ele sempre fez”. Sua posse está marcada para 25 de março de 2026, em culto na Catedral de Canterbury.
Processo seletivo
A escolha foi conduzida pela Comissão de Nomeações da Coroa, composta por 20 membros, entre eles o Arcebispo de York, Stephen Cottrell. O presidente da Comissão, Lord Evans de Weardale, afirmou: “Foi um privilégio presidir este processo de discernimento sobre quem Deus está chamando para liderar a Igreja da Inglaterra e a Comunhão Anglicana”. Ele agradeceu àqueles que participaram das consultas públicas e expressou suas orações pela nova líder.
A Bispa de Dover, Rose Hudson-Wilkin, destacou que se trata de “um momento significativo para a Igreja da Inglaterra, a Comunhão Anglicana Mundial e a Diocese de Canterbury”. Segundo ela, “hoje testemunhamos a história sendo feita, a primeira mulher a ser nomeada para uma função que existe há mais de 1.400 anos”.
Reações e controvérsias
A nomeação também provocou reações divergentes entre líderes anglicanos. O arcebispo Laurent Mbanda, presidente do movimento ortodoxo Gafcon, criticou a escolha e pediu que Mullally “se arrependa” por apoiar bênçãos a pessoas do mesmo sexo, afirmando que a decisão “abandonará anglicanos do mundo todo” e “dividirá ainda mais uma Comunhão já fragmentada”.
O Conselho Evangélico da Igreja da Inglaterra emitiu comunicado pedindo que Mullally “mantenha a fé apostólica e convoque a Igreja a se comprometer novamente com as doutrinas e formulários históricos que lhe foram confiados”.
Em resposta indireta, líderes da Comunhão Anglicana reforçaram apoio à nova arcebispa. O bispo Anthony Poggo, secretário-geral da Comunhão, declarou: “Acolho e elogio a nomeação da Bispa Sarah. Que Deus lhe conceda sabedoria e discernimento enquanto busca ouvir as igrejas-membro e promover a unidade”. Ele convidou as comunidades ao redor do mundo a orarem por ela.
Contexto e trajetória
O cargo estava vago desde a renúncia de Justin Welby, formalizada em janeiro, após críticas resultantes do relatório Makin, que o acusou de não denunciar à polícia abusos cometidos pelo falecido líder John Smyth.
Esta é a primeira vez que homens e mulheres foram igualmente elegíveis para o cargo, após a decisão de 2014 que autorizou bispas na Igreja da Inglaterra. Outras candidatas consideradas foram Guli Francis-Dehqani, bispa de Chelmsford, e Rachel Treweek, bispa de Gloucester.
Sarah Mullally teve uma carreira marcada pela combinação de fé e serviço público. Antes de ser ordenada em 2002, foi a pessoa mais jovem a ocupar o cargo de Diretora de Enfermagem do governo britânico. Em 2018, tornou-se a primeira mulher bispa de Londres. Também liderou o projeto “Viver no Amor e na Fé”, uma ampla consulta sobre sexualidade, casamento e identidade de gênero, que precedeu a aprovação das bênçãos para casais do mesmo sexo.
Desafios atuais
Mullally assume a liderança da Igreja da Inglaterra em um período de tensões internas, especialmente devido às medidas para permitir bênçãos a casais do mesmo sexo. As divisões se estendem a várias províncias do Sul Global, onde líderes anglicanos mantêm posições mais conservadoras e já haviam se afastado da liderança de Welby.
O Primeiro-Ministro Sir Keir Starmer parabenizou a nomeada, afirmando que “a Igreja da Inglaterra é de profunda importância para este país”. Ele acrescentou: “A Arcebispa de Canterbury desempenhará um papel fundamental em nossa vida nacional. Desejo a ela todo o sucesso e estou ansioso para trabalharmos juntos”.
Ao ser escolhida para o cargo mais alto da Igreja da Inglaterra, Sarah Mullally reafirmou seu compromisso com o serviço cristão e a unidade da fé. Em suas palavras, ela busca inspirar a Igreja a “falar do amor que encontramos em Jesus Cristo”.
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